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Esperança política que não morre: ‘É preciso acreditar que dias melhores virão’

CARLOS SANTIAGO | 07/10/2018 | 06:00

A esperança de que os brasileiros terão dias melhores embala os sonhos da professora aposentada Sílvia Maria Galão Tarricone. Aos 69 anos, os olhos verdes desta mulher apaixonada por Educação e Pedagogia (ela também foi coordenadora da Rede Municipal de Educação de Jundiaí) continuam soltando as mesmas faíscas do tempo em que era uma adolescente de 16 anos. O calendário na parede de uma loja de tintas, no bairro Barra Funda, em São Paulo, marcava o ano de 1965. A garota foi enviada pela família para comprar material para uma pequena reforma. Quem a atendeu foi um rapagão dos seus 19 anos. Nos dias seguintes, sempre que Sílvia passava pela calçada, o rapaz esticava o pescoço por cima do balcão.

Cataldo Vitório Tarricone (hoje com 72 anos que, aliás, completou na última quinta-feira) e Sílvia se casaram em 1970. Dez anos depois, mudaram-se para Jundiaí. Vieram os filhos e, apaixonados por política que são, eles nem pensam em ficar em casa neste domingo de eleições. Tudo por conta do desejo de um futuro melhor para os filhos e, claro, para as netas Ana Giulia, Luíza e Maria Luíza.

Cataldo principia a lembrar, mas já adianta: não se trata de fazer apologia ao regime de então, mas sim de enfatizar o que era positivo. “A vida era mais estável, era o tal ‘milagre econômico’, e eu até cheguei a ficar desempregado, mas foi por pouco tempo”. Sílvia lembra de outro aspecto: “Os preços pouco aumentavam. Você ia à feira livre ou ao supermercado e não havia aquela marcação desenfreada, que foi acontecer lá no final dos anos 80”.

Depois da grande frustração e comoção nacional que foi a morte de Tancredo Neves, a volta das eleições para presidente, em 1989, foi outro marco na história recente do país – mas o que começou bem (“O Collor tinha ideias de modernizar o nosso parque industrial”, lembra Cataldo) logo tomou outro rumo, com denúncias de corrupção e o impeachment do primeiro presidente brasileiro eleito após 1960.

“O problema é que você começa a pensar na nossa história recente e, excetuando o final do governo de Fernando Henrique e o começo do primeiro governo de Lula, só o que ficam são as denúncias de corrupção, empresas quebrando, desemprego aumentando… Essa virada ruim, acho, está por aí, no comecinho dos anos 2000”, comenta Sílvia. Ela e o marido têm opinião semelhante: “Precisamos continuar nesse combate à corrupção. Quem roubou tem de devolver o dinheiro e tem de ser preso”, diz Sílvia.

Cataldo vai mais além: “Precisamos renovar a política, descobrir gente nova, começar a fazer uma ‘limpa’ no Congresso. Só assim poderemos acabar com a corrupção, garantir leis que protejam quem trabalha e dar um alento para o futuro. Esse ‘Brasil’ novo vai acontecer. Eu acredito”.

Idosos são 12 milhões de eleitores

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou dados sobre o perfil dos eleitores deste ano. Eleitores acima de 70 anos, que têm voto facultativo, são mais numerosos que há quatro anos. Em 2018, 12.028.495 votantes nessa idade podem exercer o direito de escolher seus representantes. Houve um aumento de 11,12% em comparação às eleições de 2014, quando 10.824.810 eleitores idosos podiam votar.

Os idosos (acima de 60 anos) representam 18,6% do eleitorado, ou 27,3 milhões de votos, enquanto que os jovens, de 16 a 24 anos, somam cinco milhões a menos: são 22,4 milhões ou 15,3% dos aptos a votar em outubro. Essa diferença é capaz de definir uma eleição. A mudança demográfica do eleitorado vem sendo percebida desde 2014, quando os dois grupos praticamente ficaram empatados no peso que têm nas urnas. Naquele ano, jovens representaram 16%, enquanto eleitores com 60 anos ou mais somaram 17%. Essas novas proporções caminham juntas com a aceleração do envelhecimento da população.

Foto: Rui Carlos

Foto: Rui Carlos


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