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Fornecedor contradiz filha de Temer e diz ter recebido R$ 950 mil para reforma

DA FOLHAPRESS | 09/06/2018 | 15:22

Um fornecedor da reforma na casa de Maristela Temer, filha do presidente Michel Temer, declarou em depoimento à Polícia Federal que recebeu R$ 950 mil em dinheiro vivo na sede da Argeplan, empresa de engenharia do coronel João Baptista Lima Filho. O coronel é apontado por delatores como um intermediário de Temer para o recebimento de propina. O presidente nega as suspeitas.

A reportagem teve acesso ao depoimento de Luiz Eduardo Visani, prestado no dia 29 de maio. Sua empresa tratou de reforma do telhado, acréscimo de dois terraços e algumas alterações na área externa. Segundo Visani, os pagamentos “totalizaram aproximadamente R$ 950.000,00”. Os valores, afirmou, foram “recebidos em parcelas, diretamente no caixa da empresa Argeplan”, entre novembro de 2013 e março de 2015, período de execução da obra. Ele contou ainda que recebia mensalmente os valores.

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Para os investigadores, o depoimento é fundamental porque Visani afirmou que recebeu os recursos diretamente da Argeplan.
A filha do presidente disse, em depoimento no dia 3 de maio, que “somando superficialmente os valores, acredita ter gasto algo em torno de R$ 700.000,00 na obra”.

Além de Visani, outros fornecedores prestaram serviços à obra, investigada sob a suspeita de que o presidente tenha lavado dinheiro de propina com reformas em imóveis de familiares e em transações imobiliárias em nomes de terceiros, na tentativa de ocultar bens.
Segundo os relatos à PF até agora, a obra custou R$ 1,2 milhão. Visani avaliou que pode ter custado R$ 1,5 milhão.

Ele afirmou à PF que sugeriu receber por meio da conta bancária de sua empresa, mas que a mulher do coronel, Maria Rita Fratezi, informou que os pagamentos seriam feitos “diretamente na Argeplan, em dinheiro vivo”. Os recibos e contratos foram elaborados em nome de Maristela Temer, a pedido de Maria Rita, segundo Visani.

O fornecedor disse que recebeu em agosto de 2013 um telefonema do coronel, que se identificou como “Lima da Argeplan”. Visani afirmou que, logo no início das obras, foi informado de que era um imóvel de Maristela. “Vindo a saber na sequência que se tratava da filha do então vice-presidente Michel Temer”.

Segundo ele, “a pedido de Maristela Temer’, foi feita uma entrada independente para o consultório dela, psicóloga. O fornecedor afirmou ter encontrado com ela quatro vezes na obra, mas que as tratativas eram feitas com a mulher de Lima. Visani disse que nunca conversou com Maristela sobre orçamento.

As suspeitas sobre a obra integram o inquérito que apura se houve pagamento de propina em um decreto do setor portuário, editado pelo governo Temer em maio de 2017. A PF apura se Temer recebeu, por meio do coronel, propina da empresa Rodrimar em troca da edição do decreto que teria beneficiado companhias do porto de Santos.

Para investigadores, a origem do dinheiro das obras são a JBS e uma empresa contratada pela Engevix. Executivos da JBS afirmaram em delação que repassaram R$ 1 milhão a Temer, com intermediação do coronel, em setembro de 2014. Um dos sócios da Engevix, José Antunes Sobrinho, em proposta de colaboração, disse ter sido procurado por Lima com um pedido de R$ 1 milhão para a campanha do emedebista, também em 2014.

OUTRO LADO
A reportagem procurou as defesas de Lima, Maristela e o Planalto, que não se manifestaram.
Em depoimento no dia 3 de maio, Maristela disse que seu pai indicou o coronel para ajudá-la na reforma, mas que a fez por conta própria e que a mulher de Lima apenas a ajudou, sem receber por isso.


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