Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Gestão dos serviços de saúde gera crise no AUJ

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 12/12/2018 | 05:00

Diversas cidades do Aglomerado Urbano de Jundiaí (AUJ) enfrentam questionamentos e investigações na gestão de equipamentos de saúde pública. Só na última semana, Várzea Paulista, Jundiaí e Itupeva tiveraram problemas envolvendo organizações sociais que administram hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) na Região.
Nesta segunda-feira (10), os secretários de saúde e de comunicações de Várzea Paulista foram alvo de investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), após terem sido citados em delação premiada por Paulo Câmara como parte da Operação Ouro Verde.
Segundo o depoimento, os secretários da cidade recebiam propina da organização social Vitale, que administra a UPA 24h da cidade desde 2016. A empresa é investigada por um esquema criminoso que desviava dinheiro público destinado à saúde em diversas cidades do interior de São Paulo.
Em três fases, a Operação Ouro Verde já prendeu dezenas de agentes públicos, empresários e lobistas. Até agora, os promotores acreditam que os desvios renderam à quadrilha R$ 7 milhões.
A Prefeitura de Várzea Paulista divulgou comunicado afirmando que nenhum de seus gestores teve contato ou esteve com Câmara, mas que solicitou acesso aos documentos da investigação para abrir um processo interno de sindicância. A administração ainda ressalta que o processo de contratação da Vitale foi aprovado pelo Tribunal de Contas do Estado. Em sua página pessoal nas redes sociais, o gestor de comunicações, David Alexandre, afirmou que as acusações não são verdadeiras.
Em Jundiaí, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) enviou ofício à prefeitura na última sexta-feira (7) recomendando a rescisão do contrato entre a administração e o Grupo Gamp (Grupo de Apoio a Medicina Preventiva), organização social que administra a UPA do Novo Horizonte, que foi inaugurada no começo do mês.
O promotor se baseou em ações do MP espalhadas pelo país, onde o mesmo grupo administra outros equipamentos de saúde e é suspeito de desviar R$ 1 bilhão da saúde pública.
Em Jundiaí, o promotor pede a rescisão do contrato com a Gamp em até dez dias afirmando que a organização não tem idoneidade para manter os projetos na cidade. Na UPA do Jardim Novo Horizonte e também a Clínica da Família, 135 funcionários trabalham. Em nota, a Prefeitura de Jundiaí informa que atua em concordância com a recomendação do MP e que adotou todas as providências cabíveis para que não haja interrupção do atendimento prestado à população.
Na semana passada, foi a vez de Itupeva. O prefeito Marcão Marchi (PSD) declarou uma intervenção no Hospital Nossa Senhora de Aparecida na terça-feira (4) após seguidas denúncias de mau atendimento e atraso no pagamento dos funcionários. Durante 90 dias, servidores públicos vão administrar os repasses financeiros ao hospital, mas a organização social que administra o local não será afastada.
A Câmara de Itupeva tenta angariar assinaturas de vereadores para iniciar uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar o acordo entre a prefeitura e a OS, que foi contestado pelo Tribunal de Contas de SP (TCESP) no final de outubro.

Foto: Bárbara Mangieri

Foto: Bárbara Mangieri


Link original: https://www.jj.com.br/politica/gestao-dos-servicos-de-saude-gera-crise-no-auj/
Desenvolvido por CIJUN