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Identidade de gênero causa polêmica durante a sessão

SOLANGE POLI | 05/06/2019 | 08:16

A Câmara Municipal de Jundiaí aprovou, na sessão de ontem à noite, moção de repúdio de autoria do vereador Douglas Medeiros (PP), contra projeto de lei do senador Weverton, do PDT do Maranhão, que altera a lei 7.716, de 1989, para incluir na referida legislação crimes de discriminação ou preconceito de orientação sexual e identidade de gênero. Foram dez votos favoráveis e um contrário. O tema, sempre polêmico, levou dois grupos opostos ao plenário, que além das manifestações com cartazes e faixas, colocaram suas opiniões e tornaram o debate acirrado.

Alguns munícipes fizeram uso da tribuna livre, o espaço em que representantes de organizações da sociedade civil se manifestam. Enquanto alguns defendiam a aprovação da moção e seus pontos de vista sobre o tema, outros no plenário discordavam, o que provocou agitação e barulho. Com opiniões totalmente opostas, marcaram presença representantes da comunidade LGBT e também do Movimento Direita São Paulo.

Felipe de Almeida foi um dos munícipes que manifestou seu apoio à moção, argumentando que a proposta não seria destinada a proteger a comunidade LGBT. Já a ativista trans Samy Fortes, também presente, afirmou à reportagem do JJ que independentemente da homofobia e do preconceito observados na sociedade conservadora, é preciso haver aceitação e respeito. “Sempre vamos rebater as provocações com resistência”, declarou.

O vereador e autor da moção defendeu que é contra a discriminação e que caso seja aprovada, a referida lei não deverá proteger os homossexuais. Sua preocupação, como também a de outros vereadores que se manifestaram favoráveis à moção, refere-se à educação que os pais dão aos seus aos filhos levando em conta a ideologia de gênero.

O vereador Paulo Sérgio Martins (Cidadania 23), o único que votou contra a moção, fez considerações relevantes sobre o respeito constante quando o assunto é orientação sexual e identidade de gênero, lembrando que acima de tudo deve prevalecer a autenticidade de caráter de cada um.

ADOÇÃO

Entre outros itens da ordem do dia, foi aprovado também o projeto de lei do vereador Cícero Camargo da Silva (PROS), que institui incentivos à adoção de menores desamparados, para prever a Campanha Municipal de Divulgação e Incentivo da Adoção de Crianças e Adolescentes.

Paulo Sérgio Antunes de Oliveira, presidente do GAA Semente (Grupo de Apoio à Adoção), de Jundiaí, participou da sessão para defender o projeto. “Adoção não é uma caridade e sim uma extensão de amor. É assim que a sociedade precisa enxergar”, afirmou, enfatizando que a espera, apesar de longa, muitas vezes é necessária, no entanto poderia ser menos burocrática.


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