Política

Interesse político prejudica tomada de decisões técnicas


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Crédito: Reprodução/Internet
Nenhum governo no mundo descobriu ainda a maneira ideal para combater a pandemia do novo coronavírus (covid-19). Enquanto alguns governantes defendem uma quarentena mais radical, outros são a favor de isolar apenas os grupos de risco e promover a reabertura dos estabelecimentos comerciais. Em Jundiaí e no estado de São Paulo, a quarentena está determinada até o próximo dia 22. A demissão de Luiz Henrique Mandetta e a chegada de Nelson Teich são indícios de que a estratégia possa ser mudada pelo governo federal nos próximos dias, a favor de um relaxamento do isolamento social. O prefeito de Jundiaí, Luiz Fernando Machado (PSDB), já comentou algumas vezes sobre a necessidade de afastamento da discussão política em meio à crise do coronavírus, afirmando que a politização e a ideologização do vírus potencializa os efeitos do problema e não responde os reais anseios da população neste momento em que atravessemos estado de calamidade pública. “A crise do coronavírus evidencia a necessidade da união das forças democráticas e uma mudança de postura da classe política. Estamos diante da maior crise humanitária desta geração. A sociedade deve cobrar que as lideranças do país deixem as disputas por espaço de lado e se concentrem em construir soluções em conjunto, com base na ciência estritamente”, comenta. Faouaz Taha (PSDB), presidente da Câmara de Jundiaí, diz que o desencontro de informações e o uso do momento para política é bastante prejudicial para o país. “Acredito que, em momentos delicados como esse, que envolvam questões de saúde pública, o entendimento deve ser totalmente técnico e embasado nos profissionais. Claro que por ser uma situação nova no mundo todo, um novo vírus a ser enfrentado, temos incertezas, mas ainda assim e principalmente por isso temos que nos embasar no que tivermos de mais seguro na ciência. Em Jundiaí, todas as medidas do comitê de enfrentamento estão respaldadas em instituições de saúde”, afirma. O professor de ciência política da Unianchieta, Walter Celeste, afirma que o presidente Jair Bolsonaro valoriza apenas aquilo que vai ao encontro de suas preferências. “Até antes da pandemia, Mandetta mantinha-se discreto, o que era um bom sinal. Com a inevitável projeção dele em função da pandemia, o então ministro acabou entrando “na mira” de Bolsonaro. Diria que isso tenderia a ocorrer com qualquer ministro em situação similar, se adotasse comportamento similar”, diz.

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