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Jovens querem votar mesmo sem obrigação legal, mas admitem incertezas

BÁRBARA MANGIERI - bmangieri@jj.com.br | 22/03/2018 | 04:57

Cerca de 3.600 adolescentes de 16 e 17 anos já fizeram o título eleitoral nos primeiros dois meses do ano, mesmo não sendo obrigatório. A título de comparação, apenas 2.800 jovens da mesma faixa etária haviam retirado o documento no mesmo período de 2017, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Os adolescentes vêm percebendo como a política interfere em seu cotidiano e estão mais interessados”, analisa a professora de redação Ana Carolina Agnolini Wiggert. Ela realiza uma atividade quinzenal em suas aulas, no colégio Divino Salvador, onde cada aluno deve trazer uma notícia que lhe chamou a atenção para debater em sala de aula. A prática foi citada por todos os alunos abordados pela reportagem. “Eu até queria me filiar a um partido, mas são tantos escândalos de corrupção que desisti da ideia. Vou votar, mas ainda não sei em quem”, confessa a menor M.A., de 16 anos.

Sua colega, L.S., de 17, compartilha a sensação. “Eu quero votar porque não dá pra reclamar se você não faz nada, mas nenhum desses merece meu voto”, diz ela, em referência aos pré-candidatos que vêm polarizando as pesquisas de intenção de voto: Lula (PT) e Bolsonaro (PSL). “A atividade nos ajuda a entender o passado e nos motiva a votar no presente, porque nós que vamos mudar o futuro”, opina a menor I.P., de 16 anos. Ela também não sabe em quem votar, mas admite estar seriamente considerando o Bolsonaro. “Não concordo com suas opiniões sobre as mulheres, os gays ou sobre armas, mas gosto de suas propostas para a economia.” Ana, a professora, diz que a atividade busca não influenciar a opinião política dos alunos. “Até porque a família também intervém nisso e as próprias fontes de notícia têm sua visão. A atividade busca fazer com que os alunos saibam interpretar essa visão e formem suas próprias”.

Desilusão
Os pré-candidatos do momento também parecem não agradar aqueles que vão votar por obrigação. A estudante Beatriz Lopes Araújo, de 18 anos, foi à 281ª Zona Eleitoral da cidade tirar seu título, mas admite que não sabe o que fazer. Ela afirma que os postulantes não têm qualidade. “A gente fica entre a cruz e a espada, porque todos estão envolvidos com corrupção”, diz.


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