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Jundiaí: dossiê expõe a falta de mulheres no Legislativo

ANGELO AUGUSTO | 14/07/2019 | 05:00

Um dossiê lançado pela Rede Jundiaí 50-50 mostrou que Jundiaí deixa muito a desejar em relação à participação das mulheres na política, em especial no poder legislativo. No período administrativo de 2017 a 2020, por exemplo, nenhuma mulher foi eleita vereadora na cidade, algo que não acontecia desde 1999.

De maneira geral, sobre a atuação de mulheres no legislativo municipal no período de 1948 a 2016 a Câmara Municipal de Jundiaí teve como representação uma maioria esmagadora de homens em relação às mulheres. Dos 331 representantes titulares nesse intervalo, 316 são homens e apenas 15 mulheres, um equivalente a apenas 4,5%.

Thuany Figueiredo, integrante da Rede Jundiaí 50-50, relata que o principal motivo da ausência de mulheres na política jundiaiense é a falta de estrutura oferecida pelos partidos e a grande diferença de orçamento eleitoral que homens e mulheres recebem para usar em suas campanhas. “No fomento à campanha dos partidos existem muitas desvantagens para as mulheres e muito desequilíbrio. O ponto de partida não é o mesmo. As mulheres não disputam da mesma forma no espaço público, as candidaturas não são feitas e estruturadas da mesma forma. Isso é muito mal regulamentado dentro dos próprios partidos ainda”, relata.

Outra integrante da rede, Laura Stoppa denuncia a forma com a qual as candidatas mulheres são tratadas pelos partidos. “Existe a cota de 30% das candidaturas para mulheres, mas muitas delas receberam menos de 300 votos mas eleições de 2018, o que caracteriza que não houve campanha. Muitas candidatas são colocadas apenas para atingir a cota. Isso ainda acontece muito na nossa região.”

De acordo com o dossiê, desde o ano de 1948, o mandato que teve mais mulheres ao mesmo tempo no poder legislativo em Jundiaí contou com três vereadoras, fato que aconteceu no período administrativo de 2005 a 2008.

A participação das mulheres no legislativo não foi associada a um partido político ou a uma única ideologia em si. Os dois partidos que mais elegeram mulheres ao longo dos últimos anos foram PT e PSDB, considerados rivais e de pensamentos opostos. Esse número está ligado muito mais à representatividade do partido na sociedade do que à sua ideologia.

A atuação das mulheres no poder legislativo foi estudada através de três indicadores: participação nas comissões temáticas da Câmara Municipal de Jundiaí, produção legislativa e requerimentos ou pedidos de informação com objetivo de fiscalização. Foram analisados dados de todos os períodos administrativos desde o ano de 1948.

O dossiê “A mulher e a cidade de Jundiaí” inclui-se entre as próximas iniciativas da Rede, visando traçar um panorama acessível de dados relevantes sobre a mulher no município em questões como abuso sexual e violência, casos de homicídio, composição do legislativo municipal por gênero, entre outras. São informações indispensáveis para compreender e, assim, poder atuar sobre o contexto de vida das mulheres na cidade, impactando a vida de todos os cidadãos e contribuindo para uma sociedade mais igualitária.

Thuany Figueiredo e Laura Stoppa, participantes da Rede Jundiaí 50-50, lutam por maior inclusão de mulheres na política através do trabalho da organização


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