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Jundiaí gasta R$ 13 milhões por ano com mandados judiciais

NIZA SOUZA - csouza@jj.com.br | 10/03/2018 | 04:59

Depois da criação do programa “SUS com você”, em julho do ano passado, a Unidade de Gestão de Promoção da Saúde conseguiu estabilizar os gastos com mandados judiciais. Mesmo assim, o município ainda gasta cerca de R$ 13 milhões por ano para atender as ações de medicamentos. De julho a dezembro de 2016, foram 384 ações de pacientes contra o município solicitando medicamentos. No mesmo período do ano passado, esse número caiu para 219, queda de 40%. Já o gasto no ano com os mandados judiciais ficou estável: R$ 12,8 milhões em 2016 e R$ 13 milhões em 2017. “Esse gasto vinha crescendo em torno de 10%, cerca de R$ 1 milhão a mais, por ano. Conseguir estabilizar já é um grande avanço”, diz o gestor Tiago Texera, explicando que baixar esse gasto é difícil porque há muitas ações antigas, de pacientes que precisam do medicamento continuamente.

Tiago Texera. Foto: Alessandro Rosman/Jornal de Jundiaí

Tiago Texera. Foto: Alessandro Rosman/Jornal de Jundiaí

Por outro lado, o gasto para manter a rede básica de saúde abastecida com os 357 itens da Relação Municipal de Medicamentos (Remume) é R$ 11,1 milhões por ano. “A gente gasta R$ 13 milhões para atender 4 mil pacientes e R$ 11 milhões para manter a cesta básica de medicamentos que atende 400 mil pessoas. Isso gera inequidade no acesso”, resume. Segundo Texera, os mais de 600 medicamentos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) – são 296 itens no Remume e outros 357 na relação do Governo do Estado – abrangem todas as patologias, inclusive de grande parte dos pacientes que entram com mandado judicial. “Com o programa SUS com você, a gente informa o paciente e os médicos sobre os medicamentos disponíveis, quando necessário o médico troca a receita do paciente, evitando que a ação chegue ao juiz”, explica, frisando que esses pacientes não deixaram de ser atendidos, apenas passaram a pegar o medicamento na rede.

Outro avanço em relação aos medicamentos, destaca Texera, é o abastecimento das unidades de saúde. “Chegamos a 98%. Dos 296 itens do Remume, faltam apenas dois: o soro nasal e o polivitamínico gotas, que estão em falta porque a indústria está com dificuldade de produção”, afirma. Texera deixa claro, entretanto, que a lista de medicamentos fornecidos pelo Governo do Estado está com cerca de 35 itens em falta. “Os medicamentos de alto custo, que são distribuídos na Unidade Marechal, são fornecidos pelo Estado. O município apenas faz a distribuição”, explica.

Especialistas

A falta de alguns médicos especialistas na rede pública, conforme noticiado recentemente pelo Jornal de Jundiaí, também deve ter uma solução em breve. Segundo o gestor de Saúde, nas próximas semanas deve ser publicado na Imprensa Oficial o concurso público para reumatologista e neurologista. “Abrimos processo seletivo para contratar reumatologista, que vale para seis meses, mas não tivemos nenhum profissional interessado em assumir”, diz. Em breve, a Unidade de Saúde também deve chamar ortopedistas, gastro e endocrinologistas, especialidades que estão com concursos vigentes.


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