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Lideranças sugerem modelo para reforma da Previdência

SOLANGE POLI | 12/05/2019 | 05:02

O debate em torno da reforma da Previdência segue acirrado. O tema tem mobilizado todas as camadas da sociedade. O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a defender nos últimos dias que a reforma está baseada no combate à desigualdade e na redução de privilégios. Segundo ele, o sistema atual, além de estar fadado ao fracasso por causa do envelhecimento da população, transfere renda dos mais pobres para os mais ricos. O JJ Regional ouviu nossos representantes para comentar o que pensam sobre a atual reforma e qual seria o modelo ideal.

Para o prefeito de Jundiaí, Luiz Fernando Machado (PSDB), é fundamental para a retomada do crescimento que o Brasil faça as reformas estruturais. Entre as principais reformas, segundo ele, está a reforma da previdência. “O governo anterior, do PT, além de ter quebrado o país, ignorou o rombo da previdência e colocou em risco a aposentadoria de milhões de brasileiros. O país amadureceu e não pode mais esperar, porque o prazo médio de vida aumentou. Agora, é preciso agir com responsabilidade e discutir de forma sóbria de que modelo previdenciário precisamos para assegurar o direito dos trabalhadores a uma aposentadoria justa e ao mesmo tempo tirar o país dessa situação fiscal insustentável”, afirma.

Para o deputado estadual Alexandre Pereira (Solidariedade), o projeto apresentado pelo governo federal para a reforma da Previdência talvez não seja o ideal. “O Solidariedade mesmo, partido que eu faço parte, defende que é necessário avaliar alguns pontos importantes, para que muitos trabalhadores não sejam prejudicados. A idade mínima para se aposentar deveria ser 62 anos para os homens e 59 para as mulheres. Também é importante manter a situação atual de professores e de trabalhadores rurais. Os trabalhadores rurais, por exemplo, se aposentam após 15 anos de contribuição com a Previdência. Outra mudança que vai prejudicar muitos trabalhadores, se a reforma for aprovada, é o fim do pagamento do abono salarial do PIS. Hoje, trabalhadores que ganham até dois salários mínimos mensais, na data de aniversário, ganham mais um salário. Torcemos para que seja uma reforma justa tanto para a economia do País quanto para os trabalhadores”, comenta o deputado.

Marilena Negro, presidente do PT local, ressalta que a pauta de seu partido é clara no sentido de discordar contra as mudanças na política da Previdência. “Defendemos a Previdência Pública, no sentido de ser solidária para assegurar aos trabalhadores no futuro a garantia de uma aposentadoria justa. A mudança que se propõe está ferindo de morte a seguridade social. É preciso estabelecer condições para a diminuição das desigualdades. A proposta não deixa claro o que será realizado em contrapartida para gerar empregos, não há garantias. E as mulheres serão as mais atingidas.

Precisamos de outro modelo tanto na economia, como em tecnologia, qualidade de ensino e legislação, que atinja sobretudo os grandes afortunados, devedores da Previdência, pois é sempre a população mais rica que tem vantagens. Enquanto isso, a qualidade de vida vai se deteriorando. Não vislumbro segurança que com a reforma haverá investimento onde realmente é necessário. É preciso chamar todos os atores, não só os parlamentares e judiciário, para discutir sobretudo a questão da faixa etária”, lembra Marilena.

Geração de empregos
Gerson Sartori, presidente do PDT em Jundiaí, é enfático ao afirmar que a proposta não é clara no sentido de não apontar quais os privilégios a serem cortados. “A proposta é muito ruim, feita por quem não conhece a realidade do brasileiro. É uma capitalização que não serve para os trabalhadores, pelo contrário, prejudica a grande massa e acaba gerando ainda mais lucros para os bancos. De um lado o governo fala que vai cortar privilégios e manda uma proposta pra aposentadoria dos militares, que irão contribuir com apenas 1% do R$ 1 trilhão de economia, apontados pelo ministro Paulo Guedes (referência à declaração do ministro, que disse esperar economizar R$ 1 trilhão em 10 anos com a reforma da Previdência). Na outra ponta é verificado que 85% desses valores serão contribuição de quem ganha até R$ 2.300,00, o que é um absurdo”, avalia. O modelo ideal é, segundo ele, em primeiro lugar apontar os privilégios que serão cortados, principalmente dos altos cargos do legislativo, judiciário e executivo, além dos militares. Outra questão é cobrar dos grandes devedores, especialmente dos que ainda não faliram. “A geração de empregos é o que retoma, além de resolver os graves problemas sociais existentes. Já temos quase 14 milhões de desempregados no País, sem falar nos 30 milhões sem carteira assinada, sem contribuir com a Previdência”, diz Sartori.

Recursos minguados
Na visão de Miguel Haddad, que foi deputado federal por São Paulo pelo PSDB e três vezes prefeito de Jundiaí, a questão da reforma da Previdência, nas últimas décadas, tornou-se um problema em escala mundial, afetando diversos países. “As populações estão vivendo mais e, com isso, a relação entre o número de pessoas na ativa e aposentados diminuiu, inviabilizando o modelo atual, de repartição, no qual os trabalhadores têm parte do salário recolhida pelo governo para pagamento da aposentadoria daqueles que se retiraram do mercado. Como essa questão não conseguiu ser resolvida no passado recente, a cada dia minguam recursos para investimentos em áreas vitais como educação, saúde e infraestrutura. A reforma da Previdência é o passo inicial para voltarmos a crescer e diminuir o desemprego”, comenta.

O modelo ideal defendido por Haddad é aquele que seja justo para todos. “No caso brasileiro há uma soma de privilégios acumulados por corporações. O que ninguém concorda é com a manutenção desses privilégios, com gente recebendo dezenas de milhares de reais de aposentadoria, enquanto outros mal ganham para o sustento”, afirma.

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