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Manifestações em SP terão de ser feitas em locais diferentes

Da redação | 02/06/2020 | 12:35

Após atos contra e a favor do governo Jair Bolsonaro acontecerem no último domingo (31) na avenida Paulista, o governador do estado São Paulo João Doria (PSDB) disse que não permitirá mais duas manifestações no mesmo local e na mesma hora. “Estamos em acordo com a Prefeitura [da cidade de São Paulo] para que, a partir de agora, não tenhamos mais duas manifestações no mesmo local, no mesmo horário, no mesmo dia”, afirmou Doria na segunda-feira (1º). Bolsonaro pediu que seus seguidores não saiam no mesmo dia de seus críticos.

No domingo, os dois atos aconteceram ao mesmo tempo: um em favor do presidente (além de críticas ao governador e pedidos de intervenção militar), e outro que foi organizado por torcidas de futebol paulistas, com bandeiras antifascistas -outras capitais também tiveram movimentos análogos iniciados por grupos de torcedores.

Houve confronto com a Polícia Militar, que usou bombas de gás lacrimogênio e efeito moral na região do Masp, onde estava o grupo crítico do governo. Segundo relatos, um dos motivos do estopim foi a presença de uma mulher, apoiadora de Bolsonaro, comum taco de beisebol. Ela foi escoltada por um policial enquanto passava por torcedores e não teve o objeto apreendido. “Este taco deveria ter sido retirado”, disse o secretário de Segurança Pública de São Paulo, o general Campos, que elogiou a conduta do agente por ter retirado a mulher da discussão apenas com o diálogo.

Danilo Pássaro, 27, integrante da Gaviões da Fiel que organizou a manifestação pró-democracia, disse à reportagem que a confusão começou quando os torcedores já se preparavam para deixar o local. “A polícia passou escoltando um grupo com camisetas de organizações neonazistas e outro com fardas de militares, dando simbolismo de intervenção militar. Passaram bem no meio da nossa manifestação quando estávamos indo embora. Isso iniciou o tumulto, e a polícia começou a atirar bombas e balas de borracha”, afirmou.

Doria afirmou que o governo vai redobrar as ações de revista antes das manifestações. Campos defendeu que o uso de bombas de gás lacrimogênio e técnicas de controle de multidões atendeu aos parâmetros de uso progressivo da força e afirmou que os batalhões agiram corretamente. “A Polícia de São Paulo foi no mundo buscar as melhores formas de combater não só a área criminosa, mas também as manifestações”, disse o coronel Camilo, secretário-executivo da Polícia Militar.


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