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Mensagens de ódio têm dominado as discussões nas redes sociais

Angelo Augusto Santi | 12/07/2020 | 11:00

Em meio às mais variadas discussões a respeito das fake news, envolvendo inclusive um projeto de lei que transita pelo Congresso Nacional e deve ser votado nas próximas semanas para maior fiscalização do que é postado, discursos ofensivos e pouco produtivos têm tomado conta das redes sociais, principalmente no Brasil.

O teste positivo do presidente Jair Bolsonaro para a covid-19 só colocou ainda mais lenha na fogueira das argumentações e brigas via mídias sociais – principalmente o Facebook – nos últimos dias. Boa parte das pessoas que não apoia o presidente encheu suas linhas do tempo com postagens onde comemoram o fato de Bolsonaro ter contraído a doença e dizem estar “torcendo para o vírus”.

Na terça-feira (7), o colunista Hélio Schwartsman, da Folha de S, Paulo, publicou um artigo com o título “Por que eu torço para que Bolsonaro morra”.

Uma das justificativas usadas é a de que o presidente sempre recitou o ódio em suas declarações e entrevistas, desde a época da campanha eleitoral. Frases como “o erro da ditadura foi torturar e não matar”, “vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre” e “eu não te estupro porque você não merece” sempre são lembradas por ser opositores.

O cientista social Samuel Vidilli analisa que nenhum comentário é aceitável, independente do lado. “Vejo que esse tipo de ação é execrável tanto de um lado como de outro. É inaceitável. Lembro de quando fizeram uma manifestação aqui em Jundiaí contra o PT e enforcaram dois bonecos. Um da Dilma e outro do Lula. Aquilo me chocou terrivelmente, tanto quanto torcer pela morte de alguém que não pensa como você”, comenta.

Walter Celeste, professor de ciência política da Unianchieta, aponta que a discussão deve ser pautada de acordo com o princípio da dignidade da pessoa humana. “Por mais contestável que o Bolsonaro seja, quando um comentário desumaniza o presidente, abre-se a possibilidade da desumanização de qualquer pessoa por qualquer justificativa ideológica. Direitos fundamentais não têm ideologia. A dignidade precisa ser preservada, ou toda a luta por direitos humanos se dissolve em uma mera hipocrisia”, relata.

Empresas retiram anúncios

A disseminação de discursos ofensivos nas redes sociais há tempo é investigada e ganhou recentemente uma nova proporção. Diversas marcas, de pequeno e grande porte, decidiram começar a boicotar as redes sociais, principalmente o Facebook, através da retirada de anúncios até que medidas mais efetivas de combate à desinformação a aos conteúdos discriminatórios sejam tomadas.

O boicote teve início dos Estados unidos, mas especialistas já analisam a real possibilidade das ações chegaram ao Brasil. Paralelo aos protestos pelo morte de George Floyd, organizações não-governamentais lançaram a campanha “Pare o ódio pelo lucro”, já traduzida para o português, que pressiona as grandes marcas a retirarem seus anúncios do Facebook.

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Angelo Augusto Santi
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