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Menção a Bolsonaro volta a repercutir morte de Marielle

Angelo Augusto | 31/10/2019 | 07:00

O sargento aposentado da Polícia Militar, Ronnie Lessa, principal suspeito pela morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista Anderson Gomes, reuniu-se com outro acusado, o ex-policial militar Élcio Queiroz, no condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Neste mesmo local, o presidente Jair Bolsonaro possui uma casa. A reunião ocorreu no dia do crime: 14 de março de 2018.

Segundo depoimento de um porteiro do condomínio, Élcio teria dito na portaria que iria à casa de Jair Bolsonaro, que na época ainda era deputado. Os registros de presença da Câmara dos Deputados, no entanto, mostram que Bolsonaro estava em Brasília nesse dia.

De acordo com informações da investigação, o livro de visitantes aponta que, às 17h10, Élcio informou que iria à casa de número 58, que pertence ao presidente da República. Porém, o porteiro disse no depoimento que acompanhou por câmeras a movimentação do carro no condomínio e que Élcio se dirigiu à casa 66, onde mora Lessa.

Ainda durante a tarde de ontem (30), a procuradora do Ministério Público Simone Sibilio, chefe do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (GAECO), confirmou que o porteiro que envolveu o nome do presidente Jair Bolsonaro (PSL) mentiu em seu depoimento. Segundo ela, quem autorizou a entrada de Élcio Queiroz no condomínio foi Ronnie Lessa, morador da casa 66 e suspeito de ter realizado os disparos contra a vereadora e seu motorista. O vereador Carlos Bolsonaro (PSL), filho de Jair, diz que teve acesso às gravações do condomínio referentes à data citada e afirma que não houve contato entre a portaria e casa do pai. Ele afirmou que às 17h13 foi feita apenas uma solicitação de entrada, por uma pessoa de nome Élcio, para a casa 66, de Ronnie Lessa.

O ministro da Justiça, Sergio Moro, solicitou à PGR (Procuradoria-Geral da República) a abertura de um inquérito para apurar as circunstâncias em que o nome do presidente Jair Bolsonaro apareceu na investigação. Moro disse que há inconsistência nas informações sobre o caso, o que, segundo ele, sugere equívoco na investigação conduzida no Rio de Janeiro.

A ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge afirmou que a menção ao presidente Jair Bolsonaro na investigação sobre o assassinato de Marielle deve fazer o caso ser levado ao STF (Supremo Tribunal Federal) para uma investigação mais aprofundada. “Toda vez que há uma autoridade com foro por prerrogativa de função referida, ainda que não haja nenhuma evidência contra ela, os casos costumam ser remetidos ao foro competente. E imagino que deva acontecer igualmente nesse caso”, disse.

O deputado federal Miguel Haddad (PSDB) comentou que ainda há pontos a serem esclarecidos. “No momento, qualquer conclusão seria precipitada. É necessário aguardar o andamento das investigações.”

 


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