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Ministério Público aperta o cerco contra Flavio Bolsonaro

Das agências | 25/12/2019 | 09:01

Oito meses após obter na Justiça as quebras de sigilos fiscal e bancário do senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), de seu ex-assessor Fabrício Queiroz e de outras 93 pessoas e empresas, o MP (Ministério Público) do Rio avançou em diversas linhas de investigação.

As descobertas dos promotores contestam versões dadas pelo filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro e por Queiroz, apontado, nas palavras do MP, como operador financeiro de uma organização criminosa.

Entre as linhas de investigação estão o uso sistemático de funcionários fantasmas, os indícios de lavagem de dinheiro nas transações imobiliárias de Flávio e o envolvimento de Queiroz com o miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, o Capitão Adriano, chefe do Escritório do Crime — grupo apontado como o responsável pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

A continuidade das investigações — que foram suspensas em julho por liminar do ministro Dias Toffoli, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e liberadas somente em novembro — também abriu novos flancos, como o possível uso da loja de chocolates da qual Flávio é sócio como mais uma forma de lavagem de dinheiro.

Flávio Bolsonaro e Queiroz negam todas as suspeitas levantadas pelo MP. Os dois foram os principais alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos pelo MP na última quarta-feira.

Ao longo das investigações, Queiroz deu versões conflitantes para explicar suas movimentações financeiras. O primeiro relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que deu origem a toda investigação do MP, já apontava que o ex-assessor movimentou de maneira atípica mais de R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.

Inicialmente, Queiroz disse que seu dinheiro vinha, além da remuneração na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) e na Polícia Militar, de “rolos” e “compra e venda de carros”. A justificativa, considerada frágil pelas autoridades, foi alterada em declarações feitas por escrito ao MP.

Imóveis
As transações imobiliárias de Flávio Bolsonaro também mereceram a atenção dos promotores. O senador sistematicamente obteve lucros expressivos com compra e venda de apartamentos e salas comerciais em bairros nobres das zonas sul e oeste.

As informações revelaram novos indícios de lavagem de dinheiro na compra e venda de dois apartamentos em Copacabana, em 2012, intermediadas pelo americano Glenn Howard Dillard, pagando R$ 140 mil e R$ 170 mil. Os mesmos imóveis foram vendidos, respectivamente, por R$ 550 mil e R$ 573 mil. Nas duas negociações, Flávio lucrou R$ 813 mil, segundo os registros oficiais.

 


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