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Mulheres defendem mais espaço e autonomia na política

SOLANGE POLI | 26/05/2019 | 06:00

A representatividade feminina na política pouco avançou nas últimas décadas, mas os poucos as barreiras são quebradas, com um número crescente e mais qualificado de mulheres que não só lutam por autonomia nos partidos, mas buscam participação efetiva.

Segundo Beatriz Luna Buoso, representante do PCO em Jundiaí, as mulheres estão mais conscientes que devem ocupar o lugar que quiserem, inclusive na política. “Hoje temos a maior bancada feminina eleita desde 1933. Temos avanços e, embora lentamente, a participação está aumentando, 15% de mulheres no parlamento ainda é muito pouco. Discussões como aborto, assédio, maternidade, carreiras e outras são relevantes para legislações que interferem diretamente no universo feminino”, lembra Beatriz.

A concentração de mulheres em cargos do poder ainda está muito distante do desejado, na avaliação de Beatriz. “A voz ativa nas tomadas de decisões políticas ainda é dos homens. O cenário é de baixa representatividade feminina nos cargos e decisões políticas, bem como na elaboração de leis que afetam diretamente as mulheres. Existem cotas eleitorais, mas esse mecanismo pouco tem atribuído para melhorar a chegada das mulheres aos cargos do governo brasileiro. Muitas entram como laranjas, o partido precisa cumprir o coeficiente necessário do processo eleitoral e algumas nem chegam a fazer campanha. A eficácia desta cota tem sido questionada porque não tem alcançado uma participação igualitária nos partidos. A presença da mulher proporciona maior diálogo e um pensar mais abrangente em torno das questões relacionadas às pautas femininas”, avalia.
Cíntia Vanessa Gomes, à frente do PSOL há um ano, ressalta que é a primeira vez que uma mulher ocupa a presidência do partido na cidade. “Embora sejamos 52% do eleitorado brasileiro, essa baixa representatividade ocorre também nas assembleias legislativas e câmaras municipais. Em Jundiaí, onde somos 52,63% do eleitorado, não temos nenhuma mulher ocupando cargo no legislativo, temos 18 vereadores homens, que sempre fazem besteira quando tentam abordar temas relacionados a nós”, lamenta.

Cartilha
Francine Galeoti, presidente do Cidadania 23 em Jundiaí, destaca o movimento de mulheres denominado M23, com a formação de fóruns de discussão. Foi publicada uma cartilha com o título “O lugar da mulher é na política e onde ela quiser”. A estrutura política brasileira, lembra Francine, é comandada por homens, com um cultura fixada para que isso permaneça assim. “Por isso o movimento é atuante para a conquista do espaço e da autonomia. Não devemos nos contentar com o papel de coadjuvante, queremos exercer nosso papel e lutar para que as mulheres disputem as candidaturas sem pedir licença, porque é um espaço, sim, que deve ser ocupado”, defende Francine.

Mariana Janeiro, secretária de mulheres do PT em Jundiaí, foi candidata a deputada federal nas últimas eleições, com mais de 10 mil votos e pretende se candidatar a vereadora no próximo pleito. Atualmente ministra um curso em São Paulo, de formação política para mulheres que desejam ser candidatas.

“Ainda somos sub-representadas, com uma grande disparidade. Conseguimos quebrar alguns paradigmas a muito custo. Existe uma série de barreiras pessoais e culturais para que se formem lideranças femininas dentro dos partidos e para que as mulheres possam, de fato, serem mais atuantes. Nem todas as mulheres eleitas carregam suas próprias pautas. Mesmo com um número maior de mulheres eleitas não significa que o público feminino está bem representado”, ressalta.

Marilena Negro, presidente do PT local, também reforça a constatação de que no universo da política ainda predominam homens. “E por mais que nos esforcemos os partidos investem pouco na formação de mulheres, que acabam por ser lembradas nos momentos de disputa e por necessidade de cumprimento da cota de gênero. Nós atuamos muito na formação política, mas percebemos um distanciamento das mulheres quando tratamos dos pleitos eleitorais”, destaca Marilena.

Para presidente da Câmara de Itupeva, falta educação
Na avaliação da vereadora Tatiana Salles (PSB), presidente da Câmara Municipal de Itupeva no biênio até 2020, com o passar dos anos a participação da mulher na política vem mudando, mas ainda a passos lentos. Porém, mesmo tímida, essa participação cada vez maior da mulher na política está sendo fundamental para o fortalecimento da democracia. “Em Itupeva, hoje temos duas vereadoras na Câmara e assumi como primeira mulher à frente do Legislativo nos últimos 30 anos. Os obstáculos encontrados são muitos, a começar de casa, onde as mulheres são educadas para cuidar do lar e afazeres. A legislação brasileira também não contribui, além da falta de incentivo. Acho que para avançar nessa questão é importante investir em educação e aproximar a política das pessoas, principalmente dos mais jovens. Com informação, é possível despertar o interesse nas crianças, que já crescem entendendo a importância da política e como ela funciona”, aponta Tatiana, que foi eleita vereadora pela primeira vez em 2012 e reeleita em 2016.

Tatiana, reeleita vereadora em 2016, em Itupeva, acredita que para avançar é essencial investir em educação


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