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Novas mensagens de Moro provocam reações de políticos

FOLHAPRESS | 23/06/2019 | 19:44

As novas mensagens envolvendo Sergio Moro, ministro da Justiça, e procuradores da Lava Jato em Curitiba provocaram reações de políticos e nomes ligados à força-tarefa. Os diálogos foram divulgados neste domingo (23) pela Folha de S.Paulo, em reportagem com o site The Intercept Brasil. Mostram como os procuradores se articularam para proteger o então juiz e evitar que tensões entre ele e o Supremo Tribunal Federal paralisassem as investigações em março de 2016.

Ex-juiz responsável pela operação e hoje membro do governo Jair Bolsonaro, Moro não falou sobre o assunto. No Twitter, publicou, em latim, citação do filósofo romano Horácio: “Parturiunt montes, nascetur ridiculus mus (As montanhas partejam, nascerá um ridículo rato)”. Em resposta à declaração, o ex-presidenciável do PT Fernando Haddad publicou em rede social: “Moro pariu um golpe”.
“Folha não detectou nenhum indício de que material da #VazaJato possa ter sido adulterado. O jornal buscou nomes de jornalistas e encontrou mensagens reais trocadas com integrantes da força-tarefa, obtendo assim um forte indício da integridade do material”, escreveu Haddad.

Também por rede social, a presidente do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), chamou Moro de mentiroso e disse que ele foi desmascarado em uma intenção de evitar que o STF (Supremo Tribunal Federal) soubesse de apurações relacionadas a autoridades com foro especial, conduzidas por Curitiba. “Não podia esconder do STF que investigaria políticos com foro nas cortes superiores. Fez isso para não perder o processo e continuar sua saga contra Lula”, escreveu. O deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) disse que os diálogos mostram que o ex-juiz tinha ascendência sobre os integrantes da Lava Jato.

“A submissão dos procuradores a Moro é escandalosa. Não restam dúvidas de que agiram ilegalmente”, comentou.
O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, ex-membro da força-tarefa em Curitiba citado nas conversas, afirmou no Facebook que a Folha errou ao publicar “material apócrifo e de origem criminosa”.
“O primeiro de seu erro foi dizer que ‘A Interceptadora’ recebeu de fonte anônima, enquanto está claro que este site conhece e protege a fonte”, criticou.

Além disso, segundo ele, “‘atestar’ a integridade do material com o argumento de que as mensagens de seus jornalistas ali estavam é no mínimo ingênua, pois não há dúvida da existência de um crime de hackeamento e que potencialmente parte do material tenha essa origem”.
O procurador disse ainda que “para libertar Lula e destruir a Lava Jato vale até ser conivente com o crime”.

Procurado, o Ministério Público Federal em Curitiba afirmou em nota que a força-tarefa “não teve acesso aos materiais citados pelo jornal e, por isso, tem prejudicada sua possibilidade de avaliar a veracidade e o contexto dos supostos diálogos”. Disse ainda que os procuradores “pautam suas ações pessoais e profissionais pela ética e pela legalidade”.
O presidente Bolsonaro não se manifestou sobre o caso.

Diálogos mostram como os procuradores se articularam para proteger o então juiz
crédito/foto: Divulgação


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