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Países com mais mulheres do poder são menos curruptos; veja o que pensam as pré-candidatas de Jundiaí

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 21/07/2018 | 16:33

Um estudo feito entre 125 países descobriu que a corrupção é menor nos países que possuem mais mulheres no poder governamental. Publicado no “Journal of Economic Behavior& Organization” pelos pesquisadores Chandan Jha e Sudipta Sarangi, o estudo sugere que a probabilidade de suborno é menor nas regiões em que as mulheres são mais representadas na política.  A pré-candidata a deputada federal Mariana Janeiro (PT) citou outro estudo realizado pelo Banco Mundial com dados brasileiros conseguidos com a Corregedoria Geral da União (CGU) indicando que mulheres se envolvem menos em práticas ilícitas relacionadas à corrupção do que homens.

Ela sugere que o olhar da mulher para as políticas públicas pode ter este reflexo. “O nosso olhar para questões críticas, como saúde e educação, é muito diferente, completamente mais humanizado”, afirma. A professora Paloma Soares (PSOL), pré-candidata a deputada estadual, concorda. “As mulheres rompem com os projetos de interesses duvidosos que há anos dominam o poder e partem para uma linha da equidade e justiça social em sua pluralidade”, opina.

INCENTIVO
Andrea Seixas, pré-candidata a deputada estadual pelo PSL, não vê uma relação entre gênero e corrupção, mas aposta nas cotas como uma forma de ampliar a representatividade das mulheres no comando das instituições públicas. “Hoje os partidos são obrigados a reservar 30% do número de candidaturas para as mulheres. Talvez seja interessante manter essa cota também para os cargos já eleitos”, sugere.

Este ano, além da cota para candidaturas, os partidos também serão obrigados a reservar 30% de toda a verba que receberem do fundo partidário e do fundo eleitoral para investir em campanhas femininas, o que pode diminuir a quantidade de ‘mulheres-laranja’ na política. “Em 2016, mais de 14 mil mulheres candidatas não receberam um voto sequer. É necessário que o partido leve a sério”, lembra Mariana.

CONSCIENTIZAÇÃO
A fala da petista lembra outro ponto importante: a falta de mulheres no poder reflete a ausência de votos. A quantidade de mulheres eleitas é desproporcional ao eleitorado, onde elas representam 52% do total, o que sugere que mulheres não votam em mulheres. Segundo um recorte da pesquisa mais recente do Ibope sobre as intenções de voto, as mulheres representam 58% dos eleitores que declararam voto branco/nulo e 55% dos indecisos.

Para Paloma, isso é um reflexo da ideia de que a política não é um lugar para as mulheres – até porque elas nunca são vistas ali. “Muitas mulheres sentem na pele a ausência de políticas públicas femininas, porém elas não compreendem que os direitos estão sendo regidos por homens sem um olhar de equidade para conosco”, analisa. Para Andrea, é necessário que as candidatas apresentem propostas mais concretas.

Foto: Rui Carlos

Foto: Rui Carlos


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