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Para cientista político, ausência de Bolsonaro em debate é estratégia confortável

CARLOS SANTIAGO | 04/10/2018 | 06:02

“Mesmo que ele estivesse com uma situação favorável de saúde, poderia optar por não comparecer. Afinal, existe um eleitorado cativo, significativo, e que já fechou posição com Jair Bolsonaro”. A opinião foi emitida ontem à noite pelo cientista político e professor-colaborador do Instituto Federal de Jundiaí (IFJ) Pedro Rocha Lemos, comentando o anúncio do não-comparecimento de Jair Bolsonaro (PSL) ao último debate reunindo os candidatos à presidência da República, que será realizado hoje à noite.

A informação de que Jair Bolsonaro não irá ao debate promovido pela TV Globo partiu dos médicos Antonio Macedo e Leandro Echenique, responsáveis pelo acompanhamento de Bolsonaro em seu estágio de recuperação, depois do atentado a faca sofrido em 6 de setembro, em Juiz de Fora. “Nós contraindicamos a participação em debates ou qualquer atividade que pudesse cansá-lo ou obrigá-lo a falar por mais de dez minutos”, disse Macedo, ontem à tarde, na saída da casa de Bolsonaro, no Rio de Janeiro. “Ele não irá ao debate porque é extremamente obediente”, reforçou Macedo.

Para o cientista político ouvido pelo JJ Regional, a situação de saúde de Bolsonaro, após o atentado sofrido pelo candidato, deixou o candidato do PSL em uma situação ainda mais confortável e favorável para o crescimento dele nas pesquisas.
“Logo depois do atentado, ele já subiu de 22 para 28 pontos. Toda essa exposição em hospital, avião, e pelas redes sociais, tudo isso é muito mais interessante para a campanha do que uma propaganda direta ou participando dos debates”, avalia Pedro Lemos.

Segundo Lemos, o debate sequer teria grande significado para Jair Bolsonaro. “As estratégias dele já estão bem definidas e consolidadas, seja pela figura que representa ou pelas posições que defende, nesse sentido mais conservador, e um grande número de seguidores usam as redes sociais para alavancar a candidatura ainda mais. O debate, portanto, teria pouco significado para ele próprio.”

Queixas de Haddad
O cientista político comentou, também, algumas queixas feitas pelo candidato do PT à presidência, Fernando Haddad. Segundo o petista, Bolsonaro espalha “milhões de mensagens mentirosas por dia”. O problema maior, segundo Haddad, estaria no aplicativo whatsApp. “No whatsApp, não tem como correr atrás com a mesma eficiência.”

Para Pedro Lemos, nesse caso, o problema é que as redes sociais estão superando a mídia tradicional como propagadoras, mas existe uma exposição maciça de notícias falsas. “O grande exemplo é a campanha do Alckmin (PSDB), que tem o maior tempo na TV, mas isso não significa nada no contexto atual”, diz Lemos. “As pessoas estão mais concentradas nas redes sociais, que são muito novas nas nossas relações de comunicação, mas são usadas de forma indiscriminada e muitos sequer vão checar se aquilo é ou não verdade.”

Foto: Estadão

Foto: Estadão


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