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Para cientista político, sociedade pode cair em armadilha; ‘Mudança repentina, só com violência’

CARLOS SANTIAGO | 09/10/2018 | 05:59

“A sociedade está desiludida com as instituições democráticas, com os governos mais à esquerda. Estão todos desejosos de mudanças rápidas, mas isso é uma grande armadilha.” O comentário foi feito ontem à tarde, pelo cientista político Paulo Silvino, doutor em Sociologia pela Unicamp e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Para Silvino, o desejo e a necessidade de mudanças “desconsidera a própria complexidade das mudanças em si”. A questão é que, segundo ele, não é possível que haja mudança de forma rápida – “a não ser de form autoritária, pela força, pela violência”, considera.

A questão é que, segundo ele prossegue, em um processo político, as tais mudanças devem ser feitas de forma paulatina, justamente porque elas “dizem respeito ao contraditório”. A seguir, Silvino passa a analisar o resultado do primeiro turno das eleições. “O resultado das urnas expressa um desejo de mudança, mas não leva em conta a necessidade de criticidade do voto”. Ele faz uma ressalva: “Eu não quero dizer que alguém deve votar no PT, é fundamental que se diga isso. Mas as pessoas precisam considerar não só o candidato, como também o seu compromisso com a democracia”.

Segundo o cientista político, a sociedade brasileira está vivendo o que ele considera um ‘recrudescimento de uma onda conservadora”. Ele prossegue: “O problema é que esse conservadorismo não se encerra, apenas, em uma visão mais à direita – mas, acima de tudo, leva a uma visão que, em algum momento, coloca em xeque e ameaça a democracia brasileira.”

Paulo Silvino também deixa claro a dicotomia que ele vê neste momento. “Nas últimas eleições havia um projeto de uma esquerda progressista contra outro, liberal. Hoje, a questão é que há uma esuqerda progressista lutando contra um projeto de uma direita que é reacionária e fascista. Então, a democracia está, de fato, ameaçada”, afirma.

O sociólogo tam´bem avalia a questão sob outro aspecto. Para ele, “a própria imposição autoritária de um projeto que não dialoga com as minorias prejudica o seu modus operandi. Silvino comenta a forma como o PT tratou o enfrentamento contra o PSL. “Em muitas ocasiões, faltou um posicionamento até mesmo de autocrítica ao PT, para que ele entendesse como deveria dialogar com esse eleitorado em potencial de Jair Bolsonaro. Ao invés de taxar de ‘fascista’, deveriam [OS PETISTAS] dialogar com esse público de eleitores.”

Foto: Jornal de Jundiaí

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