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Para líderes de partidos em Jundiaí, greve expôs falta de legitimidade de Temer

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 02/06/2018 | 11:00

A forma como o presidente Michel Temer (MDB) conduziu o conflito com os caminhoneiros, que paralisaram o país por dez dias e criaram uma crise no abastecimento de combustível e de outros produtos, não agradou os dirigentes dos principais partidos de Jundiaí. Para o presidente do PSDB Jundiaí, José Galvão Braga Campos, o Tico, o apoio da população aos caminhoneiros mostra como o governo é ilegítimo. “É um governo sem crédito, inerte, que não teve reação e chegou onde está às custas de más ações políticas”, opina. Em uma autorreflexão, Tico afirma que as consequências se estendem a todos os políticos. “Esta greve é um alerta a todos nós, da classe política. Fizemos tudo errado nos últimos anos, a paralisação foi só o resultado”, diz.

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Gerson Sartori, presidente do PDT na cidade, também criticou as estratégias políticas de Temer. “Há um grande equívoco na forma como a Petrobras foi conduzida por este governo. Ao privilegiar o mercado externo, estamos gerando emprego para os estrangeiros e não para os brasileiros que tanto precisam”, opina. “A classe média e os pobres estão pagando caro pelas bobagens do governo Temer”. A presidente do PT, Marilena Negro, diz que a greve deixou o golpe mais evidente para a população. “As pessoas estão percebendo que foi tudo parte de um esquema preparado para dificultar a permanência de um governo de esquerda no país”, opina.

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Na opinião do professor Oswaldo Fernandes, presidente local do PSB, o grande protagonista político durante a paralisação dos caminhoneiros foi o governador de São Paulo, Márcio França (PSB). “Ele agiu como um estadista, mostrou capacidade e habilidade para governar o estado que mais produz e escoa riqueza no país”, opina. Oswaldo lembra que França foi o único governador que conseguiu dialogar com os grevistas, e suas negociações tiveram mais sucesso nos reflexos da greve do que as medidas propostas pelo presidente. “Temer teve uma atuação desfocada, não conversou com o grupo certo no começo”, diz. “França, por outro lado, conversou com os líderes reais do movimento. Suas ações tiveram impacto no país inteiro, até pela importância que São Paulo tem”.

O presidente do MDB Jundiaí, Waldemar Foelkel, o Cabelo, diz que a crise de credibilidade é algo que se estende a todos os políticos. “A cúpula de todos os partidos se corrompeu, mas estender isso aos políticos locais é uma falácia. Aqui em Jundiaí fazemos oposição de verdade, colocamos o dedo na ferida”, diz. Ele admite os erros de Temer, mas acredita que o país tenha melhorado em sua gestão. “Ele assumiu um governo economicamente quebrado e conseguiu segurar. Poderia ter sido muito pior”, opina.


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