Política

Perícia aponta autenticidade de áudios de procurador


Perícia contratada pelo jornal Folha de S.Paulo mostra uma série de elementos de autenticidade na gravação de áudio atribuída ao procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, e divulgada pelo The Intercept Brasil no último dia 9. No arquivo de som disponibilizado pelo Intercept, Deltan diz que a proibição de entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Folha, no ano passado, era “uma notícia boa”. Segundo o parecer técnico elaborado pela empresa especializada em perícias Instituto Brasileiro de Peritos (IBP), não foram encontrados vestígios de descontinuidades ou eventos acústicos que indiquem a existência de cortes, inserções ou modificações no áudio. Com base em métodos de fonoaudiologia forense, a perícia indica semelhança entre a voz que consta no registro divulgado pelo Intercept e uma amostra de voz obtida a partir de entrevista com Deltan publicada no Youtube, assim como a gravação desse áudio. Dallagnol se defende Em entrevista à rádio CBN, o procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Operação Lava-jato, disse que sempre reconheceu que sua conta no Telegram foi atacada e que o hacker obteve informações verdadeiras, mas voltou a dizer que não reconhece a autenticidade dos diálogos publicados. “Várias análises mostraram que os diálogos são falseáveis. A origem são pessoas acusadas de crimes, inclusive de falsificação, e quem tem o documento com os diálogos não o apresentou para verificação”, disse. O procurador disse ainda que não se lembra da íntegra das mensagens publicadas. “São cinco anos intensos de Lava-jato, trocamos centenas de milhares de mensagens, é impossível lembrar dos detalhes. A inserção ou troca de uma palavra muda totalmente o contexto”, justificou. Dallagnol disse que considera que a ação dos hackers foi elaborada: “Embora peritos digam que a ação não foi sofisticada, para mim, foi extremamente sofisticada, eles exploraram uma falha que eu ainda não entendi 100%”. O procurador disse ainda que o diálogo entre o então juiz Sérgio Moro e os procuradores da força-tarefa eram feitos de maneira ética e legal, mesmo quando fora dos autos, e disse que sua relaçãocom o magistrado era profissional: “A alegação de que somos amigos íntimos não tem base na realidade. Nunca frequentamos a casa um do outro, não fomos a aniversários um do outro, nunca discutimos assuntos de foro íntimo”. Ele também disse que Sérgio Moro não atuou com parcialidade nos processos da operação.  

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