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Petrobras perdeu R$ 32,4 bi após intervenção de Bolsonaro

FOLHAPRESS | 13/04/2019 | 05:02

A Petrobras perdeu R$ 32,4 bilhões em valor de mercado após o presidente Jair Bolsonaro impedir o aumento do diesel previsto para esta sexta-feira (12). Temeroso com uma eventual nova paralisação dos caminhoneiros, Bolsonaro ordenou ao presidente da estatal, Roberto Castello Branco, que revogasse horas depois de a medida ser divulgada, ainda na quinta (11).
A interferência do governo assustou o mercado, que colocou nos preços das ações o receio de que intervenções se tornem a regra, e não a exceção. O reajuste anunciado era de 5,7%.
As ações cederam ao redor 8%. Os papéis preferenciais (mais negociados) recuaram a R$ 25,83, enquanto os ordinários (com direito a voto) fecharam a 29,13. Os recibos de ações da estatal negociados em Nova York tiveram perdas acima de 9%.
É a maior queda percentual da companhia desde 1º de junho de 2018, quando Pedro Parente renunciou ao cargo de presidente da estatal, em meio à pressão para mudança na regra de reajuste dos combustíveis, por pressão do governo.
O tombo da Petrobras levou a Bolsa brasileira de arrasto, apesar do dia positivo no exterior: o Ibovespa, principal índice acionário do país, recuou 1,98%, a 92.875 pontos, no menor nível desde 27 de março, quando a preocupação era a reforma da Previdência.
O banco BTG Pactual classificou a intervenção de Bolsonaro na Petrobras como um déjà vu, uma lembrança amarga dos congelamentos de preços de combustíveis da gestão de Dilma Rousseff (PT), que colocaram a companhia em crise financeira.
BTG citou, porém, que a medida pode ser uma forma de conter uma eventual nova paralisação de caminhoneiros.
“Então ficamos com um dilema. Enquanto as consequências de uma nova greve provavelmente seriam muito negativas para a agenda de crescimento do país (incluindo reformas) e inclusive para a Petrobras, a percepção de que a companhia está exposta a influências políticas, mesmo sob uma agenda [GOVERNO] liberal, coloca em risco o seu pilar central de processo de redução de riscos”, disse o BTG.
Por enquanto, o preço do diesel permanece congelado, o que representa uma perda de R$ 14 milhões por dia a Petrobras. Depois da política de ajustes diários, iniciada pelo governo Michel Temer (MDB) , que culminou na paralisação dos caminhoneiros de 2018, o método de cálculo começou a ser flexibilizado.
“O modelo de preços tem que ser feito pelo presidente da empresa ou pelo economista-chefe e não pelo o presidente do país. O governo prega que as empresas devem ser independentes mas têm atuação direta do presidente. Isso é militarismo? Mão de ferro?”, diz Marco Tulli Siqueira, gestor de operações da Coinvalores.
“Se estas intervenções continuarem, a equipe econômica sai do governo. Conheço alguns membros pessoalmente e sei que eles saem. Não vão jogar a toalha, sabem que não é fácil, mas cristal trincado não canta mais. O Bolsonaro não tem que intervir em preços”, acrescentou Siqueira.

Handout picture released by the Brazilian Presidency press office showing Brazilian President Jair Bolsonaro speaking during a ministerial meeting at Planalto Palace in Brasilia, on January 3, 2019. - Brazil's stock market closed at a record high on Wednesday, one day after new President Jair Bolsonaro took office and in anticipation of economic reforms his government is expected to implement. (Photo by Marcos CORREA / BRAZILIAN PRESIDENCY / AFP) / RESTRICTED TO EDITORIAL USE - MANDATORY CREDIT "AFP PHOTO / BRAZIL'S PRESIDENCY / MARCOS CORREA" - NO MARKETING NO ADVERTISING CAMPAIGNS - DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS


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