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PF aponta R$5,5 mi em propinas para senador

FolhaPress | 19/09/2019 | 19:50

A Polícia Federal aponta que o líder do governo de Jair Bolsonaro no Senado, Fernando Bezerra Coelho (PMDB-PE), recebeu R$ 5,5 milhões em propinas de empreiteiras encarregadas das obras de transposição do rio São Francisco e de outros contratos do Executivo federal.

A negociação e o repasse dos valores teriam ocorrido de 2012 a 2014, época em que Bezerra Coelho era ministro da Integração Nacional na gestão de Dilma Rousseff (PT) e integrava o PSB.Além do senador, também teria sido destinatário de subornos o filho dele, Fernando Bezerra Coelho Filho (DEM-PE), deputado federal e ex-ministro de Minas Energia de Michel Temer. Ele teria recebido R$ 1,7 milhão.

Bezerra Coelho, o filho e outros investigados foram alvos de ações de busca e apreensão da PF nesta quinta (19), determinadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Roberto Barroso.As investigações da PF se deram a partir das delações premiadas de empreiteiros e dos empresários João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho, Eduardo Freire Bezerra Leite e Arthur Roberto Lapa Rosal.

As apurações sobre Mello Filho começaram após a PF descobrir, na Operação Turbulência, que ele era o dono do avião que caiu em 2014, matando o ex-governador pernambucano e então candidato à Presidência pelo PSB, Eduardo Campos.
No decorrer do inquérito, a polícia diz ter identificado supostas operações financeiras ilícitas das empresas dele.

Mello Filho e os outros dois colaboradores contaram ter feito o “pagamento sistemático de vantagens indevidas” a Bezerra Coelho e ao filho dele por ordem das empreiteiras OAS, Barbosa Mello, Paulista e Constremac Construções, envolvidas nas obras da transposição e em outros projetos do governo federal.

Para ocultar a origem ilícita dos recursos, pai e filho teriam se valido de um esquema de lavagem de dinheiro, envolvendo empresários, operadores e outros políticos e pessoas jurídicas.O pedido de busca e apreensão em endereços de Bezerra Coelho e dos demais investigados partiu da PF, mas a então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, discordou da ação contra o senador.

Dodge alegou que “não há indícios de que ele registrasse os atos praticados, pois, ao contrário, adotou todas as medidas para manter-se longe deles, de modo que a medida invasiva terá pouca utilidade prática”. A ordem do ministro é do dia 9 deste mês, em meio à crise deflagrada após o presidente Jair Bolsonaro declarar que trocará postos de comando da PF.

 

 


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