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Polícia acha dólares e euros escondidos em casa ligada a ex-corregedor da Fazenda-SP

FOLHAPRESS | 07/06/2019 | 19:37

Em nova busca e apreensão, policiais acharam nesta sexta-feira (7) dólares e euros escondidos em um fundo falso de móvel na casa da ex-mulher de Marcus Vinicius Vannucchi, que era corregedor-geral da Secretaria da Fazenda de São Paulo até o último dia 2.

Não foi feita a contagem das notas. Também foram apreendidos documentos escondidos no móvel, considerado por investigadores uma espécie de “bunker” do ex-corregedor.

Vannucchi foi preso temporariamente nesta quinta (6) durante a Operação Pecunia non olet (dinheiro não tem cheiro, em latim), feita pelo Ministério Público de São Paulo, Polícia Civil e Receita Federal. Ele é suspeito de cobrar propina de fiscais que eram investigados pelo órgão.

O ex-corregedor foi preso na casa da ex-mulher. O órgão diz que, depois que ele se separou, passou todo o seu patrimônio para ela, em uma suposta tentativa de fraude para se livrar dos bens ilícitos.

As investigações vêm ocorrendo desde março e apuram suspeitas das práticas dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. A reportagem não conseguiu localizar a defesa do ex-corregedor.

Na decisão do juiz Pedro Luiz Fernandes Nery Rafael, que autorizou a prisão, ele ainda proíbe o ex-corregedor de exercer a atividade de fiscal tributário do estado ou entrar em contato com outros fiscais, bloqueia 37 imóveis de Vannucchi, de suas empresas e de seus familiares e suspende a atividade dessas firmas.

Vannucchi estava no cargo desde 2016, nomeado no governo Geraldo Alckmin (PSDB), e foi afastado a sete meses do fim de seu mandato, sob a justificativa de que “o próprio servidor apresentou à administração pedido para que cessasse sua designação, em razão de questões de ordem familiar”.

Segundo o promotor de Justiça Marcelo Mendroni, após a ordem de prisão ser lançada, “por motivos que não sabemos, coincidência ou não, ele foi exonerado do caso de corregedor”.

As investigações do Ministério Público apontaram que, após ele assumir o cargo, sua família teve uma “absurda evolução patrimonial”. Foram comprados 65 imóveis, parte deles foi negociada.

A mãe do ex-corregedor, uma professora, variou patrimonialmente R$ 2 milhões em 2016; a ex-mulher, entre 2012 e 2018, variou R$ 7,5 milhões; e o filho, que nunca trabalhou formalmente, R$ 1 milhão.

Como a Folha de S.Paulo revelou, Vannucchi abriu processos administrativos contra servidores que se dispuseram a informar ao Ministério Público suspeitas de irregularidades dentro da Secretaria da Fazenda.

Sob o comando de Vannucchi, por exemplo, a corregedoria tentou demitir funcionário que ajudou o Ministério Público a investigar a chamada máfia do ICMS, acusada de cobrar propina de grandes empresas para reduzir a cobrança do tributo.

Também tomou outras decisões questionadas internamente, como o arquivamento de processos administrativos relacionados a agentes tributários investigados em operações policiais.


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