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Pré-candidatos às eleições preveem campanha curta em 2020

Da Redação | 17/05/2020 | 12:51

A cinco meses das eleições municipais, três incertezas rondam as campanhas para prefeito e vereadores. Ainda há dúvidas se o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai manter a data da votação para 4 de outubro, se o Fundo Eleitoral será ou não destinado para o combate à pandemia do novo coronavírus e sobre como serão as campanhas em meio às regras de isolamento social.

Políticos e profissionais que trabalham com partidos políticos avaliam que terão que lidar com uma campanha mais curta e sem contato físico, além de mais dependente da TV.

As redes sociais não devem ter o mesmo papel que nas eleições de 2018, segundo o pesquisador Renato Meirelles, fundador do Data Popular e hoje dono do Instituto Lokomotiva. Ele observa que oito em cada dez brasileiros afirmam que sua franquia de dados no celular não dura o mês inteiro.

Com a previsão de uma campanha relâmpago e sem os tradicionais eventos eleitorais, os pré-candidatos com maior tempo de TV deverão ter vantagem. Os partidos têm evitado fechar contratos, já que não sabem se o dinheiro virá. Em São Paulo, o prefeito Bruno Covas (PSDB), candidato à reeleição, é um dos poucos que já contrataram um advogado eleitoral, e os trabalhos seguem em marcha lenta, comparado que o que seria esperado sem a covid-19.

Financiamento
Publicitários ouvidos pela reportagem contam que, em condições normais, este seria o momento de realizar pesquisas, fazer eventos para divulgar apoios partidários e montar as equipes de comunicação e marketing. “As campanhas já saberiam que vão tocar”, disse o publicitário Nelson Biondi. Responsável por diversas campanhas tucanas e do ex-governador Paulo Maluf, ele decidiu ficar de fora neste ano. “Esse mercado já era ruim e ficou pior.”

Uma das principais incertezas é em relação ao dinheiro. Enquanto as parcelas do Fundo Partidário continuam sendo transferidas às legendas pelo TSE, o Fundo Eleitoral é uma bolada única, com liberação programada para meados de junho – justamente a época que epidemiologistas apontam como o possível pico da pandemia no Brasil.

Essa possibilidade é admitida pelo ex-governador Márcio França (PSB), pelos deputados federais Joice Hasselmann (PSL) e Orlando Silva (PC do B), pelo deputado estadual Arthur do Val (conhecido como Mamãe Falei, do Patriotas) e pelo ex-ministro Andrea Matarazzo (PSD), todos pré-candidatos. O PSOL, que vai lançar chapa com Guilherme Boulos e Luiza Erundina, também informou que não é contra o adiamento nesses termos.

“As eleições podem ser adiadas se o clima estiver como agora. Seria impossível produzir uma eleição tranquila com essa pandemia. Se for em dezembro, a gente ganha dois meses para evitar problema”, ponderou Marcio França.

A eventual necessidade de se adiar as eleições é um cenário monitorado de perto por um grupo de trabalho instituído em abril pelo TSE. Apesar da pandemia do novo coronavírus, o tribunal afirma que, por enquanto, tem dado conta de manter o seu cronograma de providências materiais e testes para que o calendário eleitoral não sofra alterações.

Como a constituição prevê que a eleição deve ser realizada “no primeiro domingo de outubro do ano anterior ao término do mandato dos que devam suceder”, qualquer mudança de data, por menor que seja, requer aprovação de uma proposta de emenda constitucional. Ou seja, precisa de duas votações na Câmara – com aprovação de ao menos 308 dos 513 deputados – e outras duas no Senado, com o aval de 49 dos 81 senadores.


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