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Presidenciável, Doria assume controle do PSDB

FOLHAPRESS | 31/05/2019 | 05:00

O governador João Doria (SP) rec</CW><CW-48>eberá nesta sexta (31) as chaves do que restou do edifício do PSDB, partido que dominou com o PT a cena política nacional por quase 25 anos até ser humilhado com um quarto lugar na eleição presidencial de 2018.

Embora a liderança pareça natural, dado que Doria governa o mais poderoso estado do país, sua ascensão não ocorreu sem sobressaltos.

Ele não deverá, contudo, sofrer resistência decisiva na convenção do partido que elegerá seu aliado Bruno Araújo (PE) presidente da sigla.

Foi o ex-deputado e ex-ministro das Cidades, aliás, quem providenciou um susto de última hora para Doria.

No dia 17, Araújo foi comunicar ao tucano no Palácio dos Bandeirantes que desistira da indicação para substituir Geraldo Alckmin – ex-governador paulista derrotado na disputa presidencial em outubro e atual presidente do partido.

O governador cobrou seu comprometimento com o já acertado. Araújo, que preside a seção pernambucana do PSDB, reclamou que teria sua vida escrutinada. Já sabia, por exemplo que a Folha de S.Paulo apurava reportagem sobre seu crescimento patrimonial –de 454% ao longo de três mandatos, como publicado na segunda (27). Além disso, na presidência tucana, teria de abrir mão da renda como advogado. Ao fim, saiu convencido por Doria.
Há outros obstáculos no caminho do governador paulista, que nega, mas montou um plano de voo claro visando a construção de uma candidatura presidencial em 2022. A primeira é a resistência que ele sempre angariou dentro do PSDB, por ser considerado um “outsider” da vida partidária e dos grupos ligados à origem da sigla numa dissidência de centro-esquerda do PMDB, em 1988.

Expoentes desses grupos, particularmente integrantes da elite paulista do tucanato, nunca esconderam certo desprezo por Doria e a surpresa quando ele foi sacado da manga pelo então governador Alckmin para ser seu candidato a prefeito paulistano em 2016.

Para eles, faltava USP e sobrava Vila Nova Conceição – para usar um suposto antagonismo entre a intelligentsia universitária e o bairro abastado da capital– ao empresário e apresentador de TV que ganhou fama e dinheiro como promotor de encontros entre setores da economia e políticos por meio do grupo Lide, fundado em 2003.

Até a escolha de Alckmin, ele mesmo tachado pelos mesmos tucanos de provinciano, não foi feita sem solavancos. Em 2015, o governador considerava o hoje prefeito Bruno Covas o melhor nome tucano para o cargo, seguido do deputado federal Ricardo Tripoli.

Uma vez eleito, tendo esmagado o petista Fernando Haddad no primeiro turno, o prefeito tratou de costurar um voo nacional –antevendo a continuidade da onda antipolítica ou por sede de poder.

A avaliação depende da simpatia do interlocutor por ele. Seja como for, a história é conhecida: ele se afastou de Alckmin, que usou seu peso partidário para assegurar a candidatura ao Planalto, enquanto Doria foi duramente criticado por largar a prefeitura e disputar o Bandeirantes.

Derrotado, Alckmin chamou o vitorioso Doria de traidor. É uma ferida aberta. Se alguém quiser ver o hoje relaxado ex-governador nervoso, basta questioná-lo sobre seu apoio ao ex-protegido.


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