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Produzir conteúdo on-line será fundamental para os candidatos

ANGELO AUGUSTO SANTI | 28/06/2020 | 11:30

Apesar da complexa discussão a cerca do possível adiamento das eleições municipais deste ano, a questão que mais gerará impacto no pleito é outra. A pandemia do novo coronavírus (covid-19) acabou, pelo menos temporariamente, com encontros presenciais, reuniões fechadas e aglomerações, o que dificultará as campanhas e irá reforçar cada vez mais a importâncias das mídias sociais.

Desde o início da pandemia no Brasil, em março, diversos políticos e parlamentares têm adotado transmissões ao vivo como uma forma de se aproximar dos eleitores e continuar a divulgar seus trabalhos. A tendência é que as iniciativas continuem tendo força caso a pandemia persista.

Presidente da Câmara de Jundiaí, Faouaz Taha, comenta que todas as frentes são importantes, mas os meios digitais têm sido usados com maior frequência. “Tenho feito lives temáticas que fazem parte da minha programação de mandato, associadas a projetos de lei de minha autoria. Como não podemos mais promover audiências com o público presencial, a live é uma forma muito importante de aproximar os temas debatidos de maior interessado, que é a população. Em relação à campanha eleitoral, claro que o novo coronavírus nos traz limitações de contato físico, mas acredito que há muitos meios de manter o mesmo diálogo do trabalho. As redes sociais e reuniões on-line podem continuar como uma tendência”, comenta.

O vereador Rogério Ricardo da Silva (DEM), que buscará o seu terceiro mandato, diz que, para os candidatos, essa será uma eleição bastante difícil. “As pessoas estão cada vez mais desmotivadas a votar. Aqueles mais velhos ou que possuem doenças crônicas estão com medo de sair de casa e o trabalho de convencimento será fundamental. Fora isso, as campanhas terão de ser quase que 100% on-line, o que restringe o número de pessoas atingidas, além de alcançar um eleitorado mais jovem”, afirma.

O ex-ministro do TSE Henrique Neves considera que tanto candidatos quanto eleitores terão de se adaptar ao novo contexto independentemente da data das eleições municipais, se ainda acontecerem em meio à crise de saúde pública. “Eleição municipal é a de sola de sapato, onde as pessoas vão de porta em porta. O que um candidato atingia em uma reunião com 50 eleitores, talvez agora precise fazer cinco reuniões com dez eleitores, no caso.”

Ele também citou o reforço no uso da internet, aplicativos de mensagens e das redes sociais, mas ponderou que milhões de brasileiros ainda não estão conectados a celulares e computadores. “Vão ter de ser verificadas alternativas, como aquelas cartas que se enviava à casa dos eleitores expondo sua plataforma. A criatividade de cada candidato é que vai permitir que faça campanha”, afirmou.

 

Adiamento

Decisão tem dividido a Câmara dos Deputados
Líderes partidários divergem sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) aprovada no Senado que adia para novembro as eleições municipais em razão da pandemia do novo coronavírus. Pelo calendário eleitoral, o primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e o segundo, para 25 de outubro.

A PEC aprovada pelos senadores na terça-feira (23) adia o primeiro turno para 15 de novembro, e o segundo para 29 de novembro. Para a mudança valer, a matéria precisa também do aval dos deputados. Por se tratar de uma alteração na Constituição, são necessários ao menos 308 votos favoráveis em dois turnos de votação.

O adiamento das eleições tem sido discutido nos últimos meses por Congresso Nacional, Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e especialistas, como medida para minimizar o risco de contágio da covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já se manifestou a favor do adiamento das eleições, mas reconhece que ainda não há acordo entre os deputados sobre o tema. Por isso, não sinalizou com uma data de votação.

Pressionado por prefeitos e com o aval do presidente Jair Bolsonaro, o Centrão se movimenta para barrar o adiamento das eleições municipais. Segundo os parlamentares do bloco, postergar o julgamento das urnas em 42 dias não garante que a pandemia seja controlada nesse período. No entanto, a resistência pode ter outro motivo: muitos calculam que jogar as eleições para 15 de novembro, Dia da Proclamação da República, beneficia a oposição.


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