Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Protesto a favor de Bolsonaro ressalta história do mês de março

Angelo Augusto Santi | 08/03/2020 | 06:00

Motivadas por uma declaração do ministro general da reserva Augusto Heleno, segundo a qual o Governo estaria sendo chantageado pelo Congresso, grupos bolsonaristas convocam uma manifestação para o dia 15 de março. A saída às ruas já estava sendo projetada desde janeiro devido à derrubada da prisão em segunda instância, mas encontrou na fala do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência o impulso de que necessitava.

A reclamação do general se referia à disputa entre governo, deputados e senadores em torno do controle do Orçamento público, com foco na obrigatoriedade de liberação de emendas parlamentares.

Durante os anos de 2015 e 2016 o mês de março também ficou marcado no cenário político do Brasil: foi em 2015 que se iniciaram as manifestações contra a então presidente da República Dilma Rousseff (PT), infladas principalmente por apoiadores do seu adversário nas eleições de 2014, Aécio Neves (PSDB). Elas se intensificaram no ano seguinte e resultaram em um dos maiores protestos da história recente do Brasil, além do processo de impeachment da petista.

Partidos de oposição (principalmente os de esquerda) prometem responder a essa movimentação em três datas ainda no mês de março: dia 8, na comemoração do Dia Internacional da Mulher, dia 14, em protesto à morte da ex-vereadora Marielle Franco e dia 18, em ato contra a reforma administrativa.

O cientista político Samuel Vidilli ressalta a importância das manifestações populares na política atual, lembrando que tais protestos não faziam parte do nosso país décadas atrás. “Acredito que todo movimento popular tem sua relevância, ainda mais em um país como o nosso, onde discutir política nunca fez parte da nossa tradição. Hoje discute-se mais política e isso é bom e ruim ao mesmo tempo: bom porque há mais interesse no que diz respeito à coisa pública e ruim porque muitas vezes as pessoas não buscam as informações de forma correta e se iludem com as famosas fake news.”

Claudio Couto, cientista político e professor da FGV SP, diz que neste momento são importantes as declarações de parlamentares de diferentes partidos repudiando o ato de Bolsonaro em apoio à manifestação. “É um ato gravíssimo e não é normal um presidente da República convocar manifestações, ainda mais contra o Congresso. Políticos devem mostrar união em torno de um interesse comum, que é a própria preservação do regime democrático, e que está em perigo nesse momento”, comenta.

A princípio, o PSL – partido pelo qual o presidente da República se elegeu, mas do qual não faz mais parte – deve apoiar as manifestações do dia 15. “Nós do PSL somos o maior partido de apoio do Governo Bolsonaro e estamos sempre ao lado do povo em defesa da democracia e de uma administração pública sem corrupção. Nossos filiados terão total autonomia e liberdade para participar da manifestação do próximo domingo em prol do Brasil”, afirmou o presidente PSL Jundiaí, Marcus Dantas.

João Lima, jundiaiense que está articulando a existência do Aliança Para o Brasil na cidade, afirmou que há um grupo de jundiaienses se mobilizando para participar do ato na Capital, que acontecerá na avenida Paulista, mas não confirmou se haverá ações de manifestantes em Jundiaí.

(Foto: reprodução)


Leia mais sobre | |
Link original: https://www.jj.com.br/politica/protesto-a-favor-de-bolsonaro-ressalta-historia-do-mes-de-marco/
Desenvolvido por CIJUN