Política

Queiroz fala sobre cargos no Congresso, mostra áudio divulgado por jornal


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Crédito: Reprodução/Internet
Um áudio revelado pelo jornal O Globo, referente a uma conversa de WhatsApp, indica que o ex-policial Fabrício Queiroz continua tendo influência política e sendo consultado sobre nomeações no Legislativo. Queiroz foi exonerado em outubro do ano passado do gabinete de Flávio Bolsonaro (PSL), hoje senador e filho do presidente Jair Bolsonaro. "Tem mais de 500 cargos lá, cara, na Câmara, no Senado... Pode indicar para qualquer comissão, alguma coisa, sem vincular a eles [família Bolsonaro] em nada. Vinte continho pra gente caía bem, pra c..., caía bem pra c... Não precisa vincular a um nome", diz Queiroz, no áudio de junho deste ano. O jornal não informa a quem a gravação de voz foi destinada. "Pô, cara, o gabinete do Flávio faz fila de deputados e senadores lá, pessoal pra conversar com ele. Faz fila. P..., é só chegar, meu irmão: 'Nomeia fulano aí, para trabalhar contigo'. Salariozinho bom desse aí cara, pra gente que é pai de família, p..., cai como uma uva (sic)", completa, no áudio mostrado pelo O Globo. Queiroz afirmou ao O Globo que mantém influência política por ter "contribuído de forma significativa na campanha de diversos políticos no Estado do Rio de Janeiro". Em visita a Pequim, Jair Bolsonaro afirmou que ainda não havia ouvido o áudio e que não tinha ciência das atividades do ex-assessor. "O Queiroz cuida da vida dele, eu cuido da minha", afirmou o presidente, antes de ameaçar encerrar a entrevista coletiva. Responsável pela defesa de Flávio Bolsonaro, o advogado Frederick Wassef afirma que o senador não fala com Queiroz desde o fim de novembro de 2018, quando explodiu o caso. "É zero contato. Queiroz não teve nem tem influência no gabinete do senado", disse Wassef. Sobre a gravação, o advogado afirma se tratar de um áudio clandestino que precisa ser periciado. Confirmada sua autenticidade, acrescenta, seria necessário entender o contexto do diálogo, ouvindo a conversa na íntegra. Em nota, Flávio ?disse ainda que "o áudio comprova que seu ex-assessor não possui qualquer influência junto ao gabinete do senador, tanto que sugere ao suposto interlocutor buscar outros caminhos para ter acesso a cargos". O comunicado ainda aponta que, caso o áudio seja verdadeiro, Queiroz estaria usando o nome do senador sem sua autorização. "Se é que a voz no áudio é de Queiroz, estaria usando o nome do senador sem sua autorização e promete algo impossível, que jamais poderia entregar. Quem sugere a existência de vínculos ou influência sobre o gabinete do senador está mentindo", afirma. Investigado pelo Ministério Público do Rio, Queiroz é suspeito de praticar a chamada rachadinha -com servidores comissionados devolvendo parte dos salários. O ex-policial trabalhou no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de 2007 a 2018. A investigação, que também tem Flávio como alvo, foi suspensa pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, após pedido da defesa do senador. O ministro determinou a paralisação de todas as investigações no país que tenham utilizado dados detalhados de órgãos de controle -como Coaf (Conselho de Controle de Atividade Financeira), Receita Federal e Banco Central- sem autorização judicial. A expectativa é de que o plenário do Supremo analise o caso ainda em novembro. Em 27 de setembro, o ministro do STF Gilmar Mendes atendeu a pedido da defesa de Flávio e mandou suspender a tramitação de peças relacionadas às suspeitas de movimentação atípica de R$ 1,2 milhão nas contas de Queiroz. Os advogados do filho do presidente alegavam que autoridades do Rio não estavam cumprindo na totalidade a decisão de Toffoli. Flávio Bolsonaro foi deputado estadual de 2003 a 2018 e, segundo o Ministério Público, há indícios robustos dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa de 2007 a 2018, período em que Queiroz, pivô da investigação, trabalhou com ele como uma espécie de chefe de gabinete. Além da movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta bancária de Queiroz de janeiro de 2016 a janeiro de 2017, chamou a atenção dos investigadores a forma com que as operações se davam: depósitos e saques em dinheiro vivo, em data próxima do pagamento de servidores da Assembleia. Queiroz já admitiu que recebia parte dos valores dos salários dos colegas de gabinete. Ele diz que usava esse dinheiro para remunerar assessores informais de Flávio, sem conhecimento do então deputado. Como mostrou reportagem do jornal Folha de S.Paulo, a quebra de sigilo bancário e fiscal autorizada pela Justiça na investigação do Ministério Público do Rio sobre Flávio atingiu pessoas que nem sequer foram nomeadas pelo senador e não tiveram nenhuma transação financeira com Queiroz. A peça do Ministério Público também atribui equivocadamente ao gabinete de Flávio uma servidora da Assembleia que acumulou outro emprego e apresenta falhas ao relatar suspeitas contra Queiroz. A defesa de Flávio afirma que barbaridades foram cometidas na investigação contra ele.

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