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“Reformas são a resposta para a crise”, diz Paulo Guedes

Folhapress | 09/03/2020 | 18:42

Em meio à turbulência internacional observada hoje (9), o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o governo está sereno e que a melhor resposta à crise será o andamento de reformas estruturais. Ele não mencionou se medidas adicionais podem ser adotadas. O dia começou com um aprofundamento das tensões na economia mundial depois que, além da disseminação do novo coronavírus, foi aberta uma batalha comercial entre países produtores de petróleo.

“Estamos absolutamente tranquilos e confiantes de que a democracia brasileira vai reagir transformando essa crise em avanço das reformas”, disse ao chegar no Ministério da Economia. “É hora de termos uma atitude construtiva: os três poderes, com serenidade, cada um resolvendo a sua parte. Não está na hora de ninguém pedir privilégio, pedir aumento, pedir facilidade”.

No início das negociações da semana, o petróleo do tipo Brent registrou queda de mais de 30%, derrubando o preço para perto de US$ 30 por barril, a maior desvalorização desde a Guerra do Golfo, em 1991.

O forte recuo reflete a decisão da petroleira da Arábia Saudita, a Saudi Aramco, de elevar sua produção e oferecer descontos a compradores justamente quando a discussão entre países produtores era pela redução da oferta. As Bolsas de Valores abriram o dia em forte queda em todo o mundo. No Brasil, o Ibovespa, principal índice da bolsa de São Paulo, abriu com recuo de 8%. As operações chegaram a ser suspensas depois que o mergulho bateu em 10%.

Guedes afirmou que o mundo já estava em desaceleração e que a crise internacional agora está se aprofundando. Ele ponderou, que o Brasil vive situação diferente, com uma reaceleração da atividade, e tem dinâmica própria. O ministro não fez previsões para o dólar. Para ele, se houver uma incerteza em relação à continuidade das reformas no Brasil, a tendência é que haja instabilidade.

Guedes disse ainda que a reforma administrativa será enviada ao Congresso “assim que possível”. Sobre a tributária, afirmou que a apresentação será feita nesta semana ou na próxima. Questionado sobre se a venda de reservas internacionais deveria ser aprofundada para conter a alta do dólar, ele também fez relação com a aprovação das medidas econômicas. “Se as reformas avançam e as pessoas estão tentando comprar dólar, o Banco Central acredito que vá vender. Se, ao contrário, as reformas não avançam e aí não tem fundamento a favor, a incerteza continua. Mas isso é um problema do Banco Central”, afirmou, antes de defender que o Congresso aprove o projeto de autonomia da autoridade monetária do país.


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