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Relacionamento do governo com o Congresso segue conturbado

Ângelo Augusto Santi | 15/03/2020 | 05:20

As votações do Orçamento Impositivo e das reformas tributária e administrativa têm gerado grandes atritos entre o governo do presidente Jair Bolsonaro e o Congresso Nacional. A Câmara dos Deputados e o Senado até foram acusados de “chantagem” pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, general Augusto Heleno, pela intenção de controlar uma parte considerável do orçamento da União.

No começo da semana, o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM) cobrou que o governo envie os textos das reformas administrativa e tributária e disse que o Congresso pretende colaborar, mesmo com os recentes desentendimentos. “A postura do governo é comandar o processo, e a do Parlamento, como sempre, vai ser colaborativa, para construir com o governo as soluções que possam minimizar o baixo crescimento que o Brasil já vinha tendo nos últimos meses, somado à crise internacional.” Ele finalizou afirmando que “não dá para aprovar o que não foi enviado.”

O deputado federal Miguel Haddad (PSDB) fala sobre as dificuldades do governo em lidar com todos os problemas atuais. “Estamos atravessando dois desafios: a pandemia causada pelo coronavírus e a crise econômica que tem afetado o Brasil nesses últimos anos. O momento é de buscar a convergência para enfrentarmos esses grandes desafios: é preciso entender que é natural haver atrito no campo político.

De qualquer maneira, o Congresso tem buscado fazer a sua parte, como foi o caso na aprovação da Reforma da Previdência, e sinaliza de forma positiva para aprovar outras reformas, como a administrativa e a tributária, essenciais para o crescimento do país, a retomada do desenvolvimento e a geração de empregos. Por isso, o clima entre o Planalto e o Congresso tende a se distensionar. O cancelamento das manifestações, que haviam sido marcadas para hoje (15) já é um bom sinal no sentido dessa convergência”, afirma.

Carlos Pereira, cientista político e professor da FGV, afirma que o governo tem um perfil conservador e autoritário, que se recusa a “jogar o jogo tradicional da política” e associa esse jogo à corrupção. “Em função de não dispor de uma coalizão majoritária, Bolsonaro precisa de conexões diretas com esse seu eleitorado mais fiel e de perfil conservador para conseguir pressionar o Congresso, pois não tem maioria. Acho que esse é o modus operandi do governo, desde o início do mandato, e vai ser assim até o final.”

O professor Oswaldo Fernandes, presidente do PSB – Jundiaí, afirma que tanto o Congresso quanto o governo cometem equívocos e que precisam se concentrar na realização de um plano de governo melhor definido. “Parece que 2018 ainda não acabou: o presidente continua em cima daquilo que o elegeu, que são principalmente as ideias ligadas aos costumes. A essa altura já deveria haver um avanço em relação às negociações com o Congresso, mas parece que eles ainda estão em disputa, assim como no período eleitoral. O governo se preocupa mais com problemas conjunturais e secundários do que com os estruturais, que são os mais relevantes”, comenta.

 


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