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Sem representante na Câmara, mulheres buscam mais espaço

Angelo Augusto Santi | 02/08/2020 | 07:30

A atual legislatura da Câmara de Jundiaí não conta com nenhuma vereadora mulher entre os 19 parlamentares. Contudo, as eleições de novembro deste ano podem mudar este cenário, a começar pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que estará mais atento às fraudes nas candidaturas femininas.

Fora isso, o fato de que as campanhas terão de ser focadas nos meios on-line poderão trazer maior igualdade entre os concorrentes, inclusive equilibrando a disputa entre homens e mulheres.

Um dos grupos responsáveis por incentivar a participação política das mulheres é a Rede Jundiaí 50-50, criada durante o período das eleições de 2016. Juliana Mingoti, uma das representantes do grupo, lamenta a falta de apoio e de espaço para as mulheres na política. “Tanto homens quanto mulheres estão ‘acostumados’ a ver a ala masculina ocupando cargos políticos e, se não houver maior apoio às candidaturas femininas em todas as etapas do processo, fica difícil mudar este cenário”, afirma.

Outra participante da rede, Lívia Maria Siqueira, fala das irregularidades nas candidaturas femininas. “Enquanto não houver uma fiscalização rígida em relação às candidaturas laranjas isso continuará acontecendo. É normal o partido que não encontrou ninguém acabar pressionando as mulheres filiadas, inclusive mencionando um futuro suporte, que muitas vezes não vem”, afirma.

 

A pré-candidata à Prefeitura de Jundiaí, Cíntia Vanessa Gomes, presidente do PSOL municipal, acredita que a falta de vereadoras na Câmara afeta o avanço e discussão das políticas públicas das mulheres. A participação feminina na política tem aumentado, mas ainda não é suficiente. A dificuldade que os partidos colocam para a participação e candidatura das mulheres, unidas ao machismo estrutural na sociedade, contribuíram para não elegermos nenhuma mulher em 2016”, afirma.

A advogada Ana Bretas, pré-candidata ao Legislativo pelo PSDB, lembra que a presença feminina na política ainda é baixa, visto que elas são maioria na sociedade. “A demanda do universo feminino tem se intensificado e isto torna as chances das candidatas muito mais concretas nesta eleição, tendo em vista também um cenário de renovação. Nas campanhas on-line, o eleitor terá que tomar cuidado e observar com cautela cada postagem, principalmente as fontes pesquisadas, uma vez que as fake news podem atrapalhar”, aponta.

 

Já a pré-candidata a vereadora do Partido Novo, Vânia de Vasconcellos, acredita que a próxima disputa eleitoral poderá ser mais equilibrada. “O que traz igualdade é o direito de ambos estarem na campanha e, na internet, todos terão as mesmas possibilidades de se expressarem. As mulheres sempre atuaram fortemente em nichos específicos da sociedade, mas não tanto nos aspectos político-eleitorais, mas hoje vemos que elas já adentraram a esse meio político com mais protagonismo”, finaliza.

Partidos ainda se utilizam de diversas artimanhas apenas para cumprir a cota feminina de 30%, mas sem dar o mesmo apoio às candidatas mulheres

O que muda com a nova regra

As eleições de novembro deste ano serão as primeiras em que estará valendo uma resolução que permite ao juiz derrubar uma lista inteira de candidatos a vereador, antes mesmo da votação, caso alguma irregularidade seja constatada. Agora, as legendas terão que apresentar autorização por escrito de todas candidatas mulheres, o que não vinha acontecendo desde que o registro foi informatizado.

Se o juiz eleitoral notar falta de documentos e verificar que a candidatura foi registrada sem consentimento da candidata, pode requisitar diligências para conferir se ela está concorrendo mesmo ou se há alguma fraude.

Os pedidos de providências devem começar a ser encaminhados a partir de 26 de setembro, quando acaba o prazo para os partidos enviarem a relação de candidatos. Se antes do dia 15 de novembro ficar comprovado que há fraude, toda a chapa cai.


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