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TSE aposta em ‘votação paralela’ contra desconfiança

CARLOS SANTIAGO | 21/10/2018 | 06:04

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aposta no processo de “votação paralela” para demonstrar a credibilidade do procedimento de votação brasileiro, que utiliza urnas eletrônicas desde 1996, mas que talvez jamais tenha recebido tantas críticas como no pleito deste ano. Nestes tempos em que as mídias sociais estão no centro do debate, as urnas eletrônicas ganharam posição de destaque – porém como aspecto negativo – nos comentários dos internautas, principalmente entre os adeptos e apoiadores da candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), que já fez inúmeras críticas ao equipamento.

O chefe do Cartório Eleitoral da 65ª zona eleitoral de Jundiaí, Vasco José Monteiro, lamenta que o procedimento seja pouco conhecido do eleitorado brasileiro. Ele tem razão na crítica. A reportagem do JJ questionou oito pessoas que passavam, na tarde desta sexta (19) pela praça Governador Pedro de Toledo, no Centro de Jundiaí. Nenhuma sabia dizer o que era a “votação paralela”, nem sequer ouviu falar dela.

Da mesma maneira, fica evidente que o assunto não é do conhecimento nacional. Um vídeo postado pelo TSE no youtube, em que é explicado todo o passo a passo da votação paralela, tinha, até a tarde desta sexta, 366 visualizações. Pior, talvez, seja que, além de não saber o que é, o eleitor não perde a desconfiança em relação ao voto eletrônico. “Eu nunca ouvi falar disso. Se existe, mesmo, porque o governo não faz propaganda desse negócio?”, foi a pergunta do instalador de pisos Diego Carlos Alves, de 38 anos, morador em Franco da Rocha.

Como é o processo
A votação paralela é realizada por todos os Tribunais Regionais Eleitorais dos estados. É um sistema de auditoria cujo objetivo, segundo o TSE, é “demonstrar a confiabilidade da urna e do sistema eletrônico”. Em São Paulo, cinco urnas (entre as que já estarão prontas, lacradas e nas respectivas seções eleitorais) serão sorteadas, em cerimônia pública na sede da TRE (uma urna, de seção da Capital; outras quatro, do interior do estado). A partir daí, o TRE se encarrega de telefonar para o juiz eleitoral respectivo, avisando que aquela urna foi sorteada e será substituída.

As urnas sorteadas são levadas para o TRE. No sábado (27), uma comissão prossegue com o procedimento. O mais comum é que fiscais dos partidos sejam convidados pelo TRE para fazer uma votação (em cédulas de papel). Estas cédulas são depositadas em urnas de lona, lacradas. No domingo, uma equipe do TRE – com quatro pessoas – cuida de abrir a urna de lona, digitar os votos ali depositados e, ao final, emitir os comprovantes de urna. Os resultados (votos) da urna eletrônica devem bater com os votos das cédulas de papel que serviram como teste. Todo o procedimento é filmado e fiscalizado por uma empresa de auditoria.

Apesar da votação paralela já ter acontecido com sucesso em eleições anteriores (em 7 de outubro), o presidente do TSE, ministro Dias Toffoli, já teve de rebater acusações de que as eleições podem ser fraudadas. “Tem gente que acredita em saci-pererê”, ironizou. Jair Bolsonaro colocou em dúvida a lisura do processo eleitoral em mais de uma declaração – sempre se referindo à hipótese de fraude nas urnas. Toffoli também já respondeu ao candidato do PSL: “Ele sempre foi eleito pelas urnas eletrônicas”.

Foto: Rui Carlos

Foto: Rui Carlos


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