Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Utilização do WhatsApp causa apreensão no segundo turno

CARLOS SANTIAGO | 20/10/2018 | 06:05

“O que eles querem é causar”. Foi assim, ironizando com uma gíria, que o presidente do PSL de Jundiaí, Bispo Iraldo, comentou as acusações publicadas na edição de quinta-feira, pela “Folha de S. Paulo”. Segundo aquele jornal, empresários teriam pago até R$ 12 milhões para comprar disparos em massa no aplicativo whatsApp contra Fernando Haddad, candidato do PT à presidência.

“São denúncias mentirosas, coisas de última hora na tentativa de provocar algum fato novo”, argumentou o Bispo Iraldo. Ele também defendeu o empresário Luciano Hang, dono da Havan, que também foi citado pela reportagem da “Folha” – e que negou conhecer a prática. “O Luciano já está, inclusive, processando a ‘Folha’… De onde tiraram essa ideia de R$ 12 milhões pagos para agências? Estão tentando causar…”, continuou.

A reportagem insistiu com a questão. O Bispo Iraldo se manteve impassível. “Não acredito e eles não têm provas do que estão falando. Até por isso, não vejo como o TSE (o Tribunal Superior Eleitoral) abraçaria uma causa sem prova”. O presidente do PSL comentou, ainda, que não há como Jair Bolsonaro “ter controle sobre toda a militância”, para somar outro argumento em defesa ao seu candidato. “Se o Luciano (Hang), por exemplo, vem fazendo divulgações por conta própria, o próprio marketing em favor do candidato dele… Não vejo como o Bolsonaro possa controlar a manifestação pessoal de cada um…”

A presidente do PT de Jundiaí, Marilena Negro, no entanto, afirma que ela própria, bem como conhecidos, observaram “coisas estranhas” acontecendo nas redes sociais. “Os grupos de Jundiaí, utilizados para mobilização da militância e simpatizantes, estão cheios de gente infiltrada. Percebemos isso e passamos a criar grupos fechados, onde a entrada é permitida apenas por convite”, explica.

A respeito das denúncias do uso do whatsApp contra Haddad, Marilena lembra que esta queixa já havia sido feita semanas atrás. “Demorou para que acontecesse alguma ação concreta, porque até o tempo da TV estava sendo consumido para o candidato ficar se justificando e desmentindo aquilo que é esparramado pelo whatsApp”. Marilena também faz uma crítica: para ela, “a Justiça Eleitoral não está ágil na apuração dessas denúncias.”

Gerson Sartori, presidente do PDT, opina que se a denúncia relativa ao uso do whatsApp contra Fernando Haddad for comprovada, então a eleição estará comprometida. “E não só o resultado para presidente, como para todos os cargos que disputaram o primeiro turno”, acentua. “Se a fraude for comprovada não tem outro caminho. Eleição fraudada é eleição anulada”, afirma. “Aliás, se isso de fato for constatado, seria uma excelente oportunidade para o Brasil corrigir todas as distorções institucionais”, disse.

A respeito do TSE (que adiou para domingo uma entrevista coletiva para falar sobre a questão), Gerson também enfatiza: “A Justiça não pode se acovardar. Não pode cometer injustiça, mas também já deveria ter chamado as pessoas para depor.”
Ontem, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, pediu a anulação da eleição presidencial, alegando que houve ‘abuso de poder econômico’.

O presidente do PSDB de Jundiaí, José Galvão Braga Campos, o ‘Tico’, preferiu contemporizar. “O whatsApp é uma ferramenta que está à disposição de qualquer pessoa”, comentou. Em seguida, no entanto, Tico disse que há necessidade de investigar o caso, em nome da lisura do processo democrático.

Foto: reprodução/internet

Foto: reprodução/internet


Link original: https://www.jj.com.br/politica/utilizacao-do-whatsapp-causa-apreensao-no-segundo-turno/
Desenvolvido por CIJUN