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Virada de França sobre Skaf em SP é comemorada como gol no último minuto

FOLHAPRESS | 08/10/2018 | 06:04

O relógio marcava 18h45 quando um homem entrou no salão do Palácio do Trabalhador, sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, e gritou: “Ele passou”. Foi o início de uma comemoração como a de um gol decisivo no último minuto. Faltando pouco mais de 20% das urnas a serem apuradas, o governador Márcio França, candidato do PSB à reeleição, havia acabado de assumir o segundo lugar na disputa estadual.

Com 21,48%, deixou para trás Skaf na briga pela última vaga no segundo turno da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. O tucano João Doria liderou a disputa com 31,77%. As pesquisas durante a reta final da campanha mostravam o gráfico ascendente das intenções de voto em França, mas ele nunca apareceu entre os dois primeiros que ganham direito a se confrontar na última semana de outubro.

“São Paulo avança, governador é Márcio França”, cantavam os militantes. O governador assistiu à apuração no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Só iria mais tarde para o sindicato encontrar a militância e conceder entrevista. De manhã, quando votou em uma escola em São Paulo, França já tinha dado a dica de que partirá para cima de Doria no segundo turno.

Na saída de sua seção, falou a sobre o adversário, que, segundo ele, fez a campanha contrariado. “Doria era candidato à Presidência. Ele se iludiu com a vitória na prefeitura. Como ele não conseguiu a disputa, ele foi buscar o prêmio de consolação no governo de São Paulo.” França assumiu o governo após Geraldo Alckmin (PSDB) deixar o cargo para disputar a presidência.

Potencial
França sempre foi visto como um candidato competitivo, com potencial de angariar votos se revertesse o desconhecimento.
Isso porque o pessebista tinha a caneta do governo na mão, com potencial de distribuir cargos e recursos – o que fez neste ano. Some-se ainda uma ampla coligação com 14 partidos e milhares de candidatos a deputado, que podiam se engajar em sua campanha e espalhar santinhos com o número do PSB.

A constatação do potencial de França baseou uma campanha polarizada a partir dos primeiros ataques de Doria, em abril, apelidando o governador de Márcio Cuba. Ao longo da campanha, o tucano tentou grudar no governador a imagem de esquerdista – a última tentativa foi um vídeo em que o mostrava obeso, antes de cirurgia bariátrica, ao lado de Lula. A principal tarefa de Doria, na avaliação de sua equipe, era reverter sua alta rejeição, sobretudo por ter abandonado a prefeitura antes de cumprir o mandato.

Foto: Rui Carlos

Foto: Rui Carlos


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