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Volta dos radares a Jundiaí divide opinião da população

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 15/12/2018 | 05:04

Desde o início de novembro, diversos boatos espalhados pelas redes sociais afirmam que a Prefeitura de Jundiaí voltou a instalar radares na cidade e multar os condutores. Os rumores geraram uma avalanche de comentários negativos sobre a fiscalização eletrônica do trânsito.
A administração municipal lançou um comunicado esclarecendo que deu início ao processo licitatório para a recolocação de radares na cidade, mas que até o momento não há data para instalação dos mesmos. O que acontece atualmente é um estudo de velocidade e contagem de veículos exigido pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e realizado pela empresa Pottma Projetos e Obras de Transporte e Tráfego, contratada pela Unidade de Gestão de Mobilidade e Transporte (UGMT).
Desde o início do processo, a prefeitura divulga, quase que diariamente, os locais onde está sendo realizado o estudo. Os locais onde ficarão os radares também serão sinalizados. A prefeitura destaca, ainda, que não há aplicação de multas nesta etapa do processo.
Mesmo após esclarecimentos da administração municipal, as informações falsas seguem se espalhando. O motorista Helio Souza Lima, de 75 anos, diz que recebeu mensagens no Whatsapp afirmando que estavam multando carros na av. dos Ferroviários alguns dias atrás. “Não sei se é verdade, mas estão todos falando dos radares”, afirma. Ele diz que tem prestado mais atenção à velocidade desde que os boatos surgiram.
Para o servidor público João José dos Santos, 61, a fiscalização eletrônica ajuda a conscientizar o motorista, mas é preciso ter parcimônia. “A questão são os lugares impróprios. Na av. Jundiaí acontecem rachas de madrugada, mas os radares estão desligados e raramente a polícia está fiscalizando, ou seja, não adianta nada”, opina.
Tiago Zanardi, 32, por sua vez, gosta da volta dos radares. “Tem muito motorista imprudente e eles os inibem. Só reclama quem toma multa”, diz. Luciana Bolonhezi, 40 anos, concorda. “Reclamam porque não querem que mexam no bolso, mas é a melhor forma de evitar acidentes”, afirma.
O diretor de trânsito de Jundiaí, Wlamir Lopes da Costa, confirma a opinião de Luciana. “Estudos da Organização Mundial de Saúde (OMS) atestam que o controle de velocidade é fundamental para reduzir a quantidade e a gravidade dos acidentes”, diz.
Segundo especialista, um veículo a 48km/h percorre 9 metros antes do motorista conseguir reagir, seja para frear ou desviar de algo que possa gerar um acidente. “Se a reação for frear, o veículo anda mais 14 metros antes de parar”, diz Wlamir. Já se o veículo estiver a 60km/h, percorre 12 metros antes de frear e mais 25 metros antes de parar. “Quanto maior a velocidade, maior o tempo para reagir e a distância pra parar”.
Walmir ainda esclarece que os boatos sobre “indústria da multa” são infundados. “O estudo serve para verificar onde existe a necessidade de radares. O principal critério é a quantidade de acidentes que já aconteceram no local”, explica. Ele diz, ainda, que a quantidade de acidentes em Jundiaí é preocupante, o que justifica a reinstalação. “O índice de mortes no trânsito aqui é maior que a capital”.
Segundo o Infosiga, foram registrados 32 mortes no trânsito em Jundiaí ao longo do ano. A maior parte dos acidentes envolveu motociclistas.

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