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Acolhimento de crianças e adolescentes deve ser feito o ano inteiro e não só nas festas natalinas

Simone de Oliveira . scoliveira@jj.com.br | 13/12/2017 | 14:21

A chegada das festas de final de ano, em especial o Natal, desperta na maioria das pessoas sentimentos de amor, solidariedade e, principalmente de espírito de acolhimento. Mas quem vive em asilos ou abrigos sabe que só este momento não é suficiente, por isso, muitas instituições têm pedido às pessoas que desejam ajudar que procurem acolher uma criança ou adolescente ao longo do ano e não somente nas épocas festivas. Os abrigados do Sítio Agar – Unidade de Várzea Paulista, por exemplo, vivem na pele esta realidade. Inaugurada há 1,5 ano, o local – que abriga crianças de zero a 18 anos em situação de vulnerabilidade afastadas de seus pais ou parentes por decisão judicial – tem recebido a visita de muitas pessoas nesta época, mas a diretoria lembra que a vida social destas crianças e adolescentes deve ser preservada ao longo do ano. Pensando nisso, eles criaram o projeto ‘padrinho afetivo’, para que as famílias recebam estas crianças em casa durante o ano.

“A proposta é que as famílias cadastradas não apenas doem brinquedos, roupas e venham visitar as crianças, mas que as acompanhem em sua vida escolar, que as levem para passear, enfim, que este afeto e amor despertados no Natal prevaleçam durante todo o ano”, diz a coordenadora Vera Lúcia Lopes dos Santos. Hoje vivem na casa 19 crianças. Algumas aguardam a finalização do processo de adoção, mas outras esperam a decisão judicial para saber se voltam para os pais ou continuam no abrigo. Enquanto este processo não é finalizado, o trabalho da equipe técnica é proporcionar a estes assistidos momentos de conforto e lazer, mas sem esquecer de preservar a integridade física e afetiva de cada um.

A assistente social Adriana Rossi Costa Caetano enfatiza que mesmo quando há um apadrinhamento afetivo, como desejam implantar no próximo ano, as partes devem estar cientes de que não se trata de uma adoção e sim de momentos de lazer, carinho e atenção que irão proporcionar a esta criança e jovem. A adoção deve passar pela Justiça e seguir os trâmites legais. “É muito bom que as crianças recebam as visitas, mas também precisam estar em outras esferas e fora da casa, sempre com acompanhamento.” Neste final de ano as festas têm acontecido semanalmente nas entidades, com a participação da comunidade. Quem deseja ajudar, não somente com roupas e brinquedos, mas principalmente com material escolar para o próximo ano, deve procurar a unidade.

Em Jundiaí
Localizada no bairro Anhangabaú, a Casa Transitória Nossa Senhora Aparecida já tem o projeto de apadrinhamento afetivo há quase um ano. Passando por algumas etapas e estabelecendo algumas regras, a diretoria consegue organizar as saídas dos assistidos, em especial dos adolescentes ou dos pré-adolescentes, sem a possibilidade de retorno original à família ou em processo de adoção. Segundo a coordenadora técnica da entidade, Suzana Elias Pedro, as saídas externas são permitidas, sejam para atividades esportivas, escolares ou sociais, mas sempre em grupo, o que diferencia do apadrinhamento, no qual os encontros são individuais. O apadrinhamento é importante para reforçar os laços afetivos entre este adolescente e a família acolhedora.

“A proposta é individualizar o afeto porque este olhar entre o padrinho e o assistido é levado para a vida toda”, comenta Suzana, lembrando que as inscrições para as famílias começam em fevereiro. A Casa de Nazaré, que abriga 41 crianças entre zero e 18 anos, também agrega o projeto do apadrinhamento. Mas conforme explica a presidente da instituição, Maria Aparecida da Silva, o apadrinhamento deve ser feito ao longo do ano e não apenas durante as festas natalina. “As crianças já têm uma rotina de atividades externas – como escola e visitas médicas -, enfim, eles moram aqui, mas precisam sair como qualquer outra criança. “Ser padrinho não significa apenas dar presentes e sim estar presente. Esta convivência familiar é importante, em especial para os assistidos em que a adoção fica mais difícil”, explica.

Quem deseja se tornar padrinho deve entrar em contato com as instituições para receber as informações essenciais, mas é bom ressaltar que toda família interessada será acompanhada por profissionais antes da conclusão do processo do apadrinhamento. Para quem deseja ajudar com materiais escolares, roupas ou brinquedos basta fazer contato pelo telefone, uma vez que cada unidade tem suas próprias necessidades.

Serviço
3 Sítio Agar (Unidade Várzea Paulista): 4606-1664
3 Casa de Nazaré (bairro do Poste): 4581-7833
3 Casa Transitória Nossa Senhora Aparecida (bairro Anhangabaú): 4521-5743


Link original: https://www.jj.com.br/regiao/acolhimento-de-criancas-e-adolescentes-deve-ser-feito-o-ano-inteiro-e-nao-so-nas-festas-natalinas/
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