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Afluentes do Rio Jundiaí estão contaminadas

| 20/10/2014 | 19:10

O abastecimento das unidades de Tratamento de Águas de Campo Limpo Paulista e de Várzea Paulista é feito por meio da captação de águas do Rio Jundiaí e de afluentes. Porém, algumas dessas nascentes são contaminadas com o despejo de esgoto das residências no entorno.

A contaminação do córrego Pinheirinho, no Jardim Alessandra, em Várzea Paulista, já havia sido questionada pelo JJ Regional quando anunciado que este afluente do Rio Jundiaí seria usado para a coleta de água para ajudar no abastecimento daquela cidade. “A Sabesp colocou a rede (coletora de esgoto) na rua Tocantins há quatro anos, mas só há alguns meses fez a ligação das casas na canalização. A rua Macaúba não tem coleta. As casas despejam direto no riozinho”, conta o morador Isaías Alves Pereira, com casa em frente a um despejo de esgoto no córrego.

A nascente do Pinheirinho é na rua Juriti, no mesmo bairro. A área agora está cercada e no terreno há tubos de concreto aparentemente para canalizar a água, que nasce cristalina. Ao longo do trajeto vai recebendo descargas irregulares. O riozinho passa ao lado da lagoa de captação daquela cidade, no Clube de Campo de Várzea Paulista, que está quase seca.

Outro ponto de poluição identificado antes de chegar ao maquinário de tratamento da Sabesp é em Campo Limpo Paulista, na estrada da Bragantina. A nascente, que percorre quase toda a rua Edmundo Pernetti, no bairro São José, recebe carga de esgoto de moradores do bairro. A contaminação fica à mostra para quem passa pela avenida Bragantina, no cruzamento para a entrada no bairro. A partir daquele ponto, a água adquire a coloração preta e com mau cheiro. Esse córrego deságua no Rio Jundiaí a poucos metros antes de ter a água captada para o abastecimento da cidade.

Cetesb e Sabesp – A reportagem entrou em contato com a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), que realiza monitoramento da qualidade das águas do rio Jundiaí em diversos pontos. Em nota, ela afirma que a estação de tratamento de esgotos de Campo Limpo Paulista e Várzea Paulista, recentemente construída pela Sabesp, trata esgotos que antes eram lançados no rio Jundiaí sem nenhum tratamento. E com referência à água distribuída à população dos municípios de Várzea e Campo Limpo Paulista, “esclarecemos que as águas captadas pela Sabesp são tratadas a fim de atender aos padrões de potabilidade estabelecidos na legislação (…). Com respeito ao córrego Pinheirinho, segundo informações da própria SABESP, toda a bacia deste córrego possui rede coletora de esgotos.

A Sabesp também foi questionada pela reportagem sobre a qualidade da água captada para ser tratada e oferecida à população das duas cidades, e as redes coletoras de esgoto. A empresa, em nota, respondeu que “embora toda extensão da avenida Macaúba possua rede coletora de esgotos, ocorre soleira negativa, quando o imóvel está localizado abaixo do nível da rua. Nestes casos, os imóveis devem utilizar fossa séptica. Para atender à demanda destes moradores, está em andamento estudo de implantação de rede coletora de esgotos pelos fundos dos imóveis. Esta obra ainda depende de autorizações ambientais e de liberação de áreas particulares.”

A nota cita ainda a situação de Campo Limpo Paulista, informando que “com a implantação do sistema de esgotamento sanitário e ação de despoluição do rio Jundiaí, o município de Campo Limpo Paulista atingiu o índice de 90% de tratamento de esgotos e a companhia continua trabalhando na interligação de esgotos em diversos pontos da rua Edmundo Pernetti. Neste local, falta apenas parte de um trecho para ser concluída.” Apesar das respostas, não informou se a poluição compromete a qualidade da água ofertada, nem qual o volume armazenado de água bruta nos lagos de contenção das duas cidades.


Link original: https://www.jj.com.br/regiao/afluentes-do-rio-jundiai-estao-contaminadas/
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