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Escola ultrapassa fronteiras com projeto de leitura

| 12/05/2014 | 10:10

Uma escola municipal localizada em um dos bairros mais carentes e populosos de Várzea Paulista, a Vila Real, poderia passar despercebida se não fosse um detalhe: a maneira com que os professores trabalham com a leitura. O acervo de livros é, sem sombra de dúvidas, um dos destaques do Centro Educacional Municipal de Educação Básica (Cemed) Juvelita Pereira da Silva.

Criado e implantado em 2009 pela professora e mestre em Literatura Tatiane Silva Santos, 31 anos, o projeto, que não recebeu um nome diferenciado, foi tão bem aceito pela comunidade escolar que servirá de tema durante congresso na Universidad Pedagógica Nacional Francisco Morazán durante o Fórum Acadêmico de Letras (FALE), em Honduras.

O convite partiu de seus professores de mestrado da Universidade de São Paulo (USP) que souberam do trabalho realizado na cidade e a convidaram para ser conferencista durante o congresso. A proposta é compartilhar a experiência e mostrar que é possível construir um espaço para que as crianças criem interesse pela leitura e que esta prática não seja apenas vista como uma obrigação didática.

“Minha tese de mestrado foi em Literatura, mas na área de literatura hispano-americana, ou seja, não tem relação com o projeto, mas vou compartilhar este trabalho que temos aqui na escola com os estudantes das universidades. Fiquei satisfeita porque terei a oportunidade de mostrar que é possível oferecer condições para que as crianças tenham o contato com a leitura de uma forma diferente fora da sala de aula.”

Com o tema “Interculturalidade e Leitura”, Tatiane espera mostrar aos estudantes do congresso que a pesquisa é bem diferente que a prática, mas quando se dá condições e ferramentas para que crianças tenham contato com os livros, elas se interessam mais. “Todo novo trabalho é sempre difícil de ser implantado, mas quando a gente acredita, sempre dá certo, independentemente de onde estamos trabalhando.”

E foi assim, sem pensar onde ou para quem era, que a jovem professora resolveu implantar o projeto na escola que leciona desde sua fundação, em 2007. Dois anos depois de sua inauguração, a escola recebeu, ou melhor, abraçou a ideia e já vê os frutos desta iniciativa. “Percebi que as crianças estavam dispersas e precisavam participar de algo diferente. Foi por isso que resolvi criar a roda de leitura para que tivessem o contato com os livros e um momento fora da sala de aula.”

Incentivador
Este momento passou da sala para um espaço próprio. A biblioteca nascia de uma forma lúdica, diferente e com total abertura e disposição de alunos e professores. Com livros do próprio acervo, doações de empresas e do município, nascia, numa pequena sala, um espaço que desperta a imaginação e a curiosidade dos alunos.

“Incentivar a leitura, a boa postura e a concentração são os frutos que estamos colhendo. Comecei com minha turma, mas agora toda escola se envolveu com este projeto, por isso aumentamos os horários e a maneira de trabalhar este momento. O professor é quem lê a história e depois abrimos para a discussão. Semanalmente, trabalhamos com um tema diferente e toda a escola se envolve.”

Com horários colocados na porta da biblioteca, as turmas sabem quando e como podem aproveitar o espaço. Os livros são divididos por temas e assuntos e a estante foi montada para que as crianças, por si só, façam sua escolha pelo livro que mais lhe interessam –  e possam ler ali mesmo no espaço ou levar para casa. “Tem crianças que preferem trazer os livros de casa para compartilhar com os alunos”, conta a professora.

“Quando damos esta oportunidade e principalmente trabalhamos de uma maneira diferente, sem ser apenas seguindo um projeto pedagógico, o resultado é sempre mais agradável.” Para deixar ainda mais lúdico, varais são montados com livros que seguem o tema da semana. Um livro gigante serve de incentivo para que a leitura seja instigante. Nele, os professores colocam objetos e, antes de começarem a leitura, contam algo referente ao assunto, assim as crianças ficam deslumbradas.

“Estou orgulhosa com o resultado porque, apesar de pequena, nossa biblioteca está sendo bem usada e os resultados têm se refletido fora da escola. Crianças que sabem aproveitar o horário e até incentivam seus pais a lerem também.”


Link original: https://www.jj.com.br/regiao/escola-ultrapassa-fronteiras-com-projeto-de-leitura/
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