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Greve atinge Jundiaí e Campo Limpo Paulista

| 09/05/2014 | 17:18

A ameaça de greve no sistema prisional de todo o Estado colocou os trabalhos no interior do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Jundiaí em marcha lenta e afetou a transferência de presos para outras cadeias e para fóruns da Região, onde ocorrem as audiências.

A 2ª Vara Criminal do Fórum de Campo Limpo Paulista teve de cancelar três audiências nesta segunda-feira (10) porque presos não foram levados por agentes penitenciários que fazem o transporte. De acordo com um agente penitenciário do CDP de Jundiaí, só houve transporte para o Fórum de Jundiaí, nesta segunda-feira, porque um agente aceitou fazer o serviço, que tem apoio da Polícia Militar.

A transferência de presos para outras cadeias também foi afetada. Estava prevista a saída, nesta segunda-feira, de 72 detentos do CDP de Jundiaí para o CDP de Pinheiros, em São Paulo, o que não ocorreu por causa da parada no trabalho dos dois centros. “Apenas o setor de alimentação e o pronto-socorro estão trabalhando”, revelou o agente penitenciário.

Atualmente, o CDP de Jundiaí está acima de sua capacidade – com 1.599 presos para um espaço de 847 vagas, segundo dados da própria Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). O agente penitenciário ouvido relata que, além de mal pagos, os funcionários sofrem riscos. “Somente no fim do ano passado, cinco agentes foram agredidos aqui”, conta. “Mais importante do que um salário melhor é nossa segurança.”

Os agentes penitenciários, por meio de dois sindicatos da categoria no Estado, reivindicam um ajuste salarial de 20,64% (referente ao período de 2007 a 2012) e mais 5% de aumento real, além de mais segurança no interior dos presídios.

“O atraso da vinda dos presos para as audiências causa transtorno para nós, pois temos de remarcar tudo de novo, informar as partes e, com isso, os processos têm atrasos”, revelou um funcionário da 2ª Vara Criminal de Campo Limpo.

Agentes penitenciários que atuam em Jundiaí aguardam o resultado de uma reunião que ocorre hoje, pela manhã, no Palácio dos Bandeirantes, entre representantes sindicais e membros da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional e da SAP, para discutir as reivindicações dos funcionários.

“Se não ficarmos satisfeitos com uma nova proposta, vamos parar tudo nesta quarta-feira pela manhã”, contou o agente. “A ideia já era ter parado hoje (segunda), mas a administração veio conversar com a gente e pediu que continuássemos até sair o resultado dessa reunião.”

Mesmo com a determinação do governo do Estado de cortar o ponto e abrir sindicâncias disciplinares contra grevistas, a paralisação dos agentes penitenciários de São Paulo atingiu 80 das 158 unidades prisionais do Estado em seu primeiro dia. Segundo o Sindicato dos Agentes Penitenciários do Estado de São Paulo (Sindasp), unidades de todas as regiões do Estado aderiram ao movimento e 16 mil dos 30 mil agentes do sistema cruzaram os braços nesta segunda-feira.

A SAP foi procurada para falar sobre a transferência de presos, a agressão a funcionários e o funcionamento do CDP de Jundiaí, mas não respondeu até o fechamento desta edição.


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