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Várzea Paulista deve ser o futuro ´canteiro de obras´

| 25/05/2014 | 20:02

Uma cidade interiorana com 35 mil metros quadrados e pouco mais de 114 mil habitantes, de acordo com dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem despertado a visão de bons negócios entre empresários do setor da construção civil. Várzea Paulista se destaca entre os outros seis municípios integrantes do Aglomerado Urbano de Jundiaí (AUJ) – que tem ainda Itupeva, Cabreúva, Campo Limpo Paulista, Louveira e Jarinu – quando se trata de potencial a ser explorado no mercado imobiliário.

O futuro canteiro regional de obras já tem localização certa. “Tivemos um ótimo resultado com um empreendimento lançado em 2011 na cidade, as vendas surpreenderam e o município tem grande demanda no setor habitacional”, afirma o supervisor comercial da FA Oliva Empreendimentos Imobiliários, Murillo Castilho.

Neste mês, a construtora está entregando as chaves de parte das 192 unidades verticais do Morada dos Pinheiros, localizado na Vila Marajó. São apartamentos de até 71 m², de dois e três dormitórios, com área de lazer e padrão diferenciado para o perfil imobiliário de Várzea Paulista. “O produto que oferecemos é novidade na cidade e estamos estudando novos negócios.”

A construtora Santa Angela é mais um exemplo de empresa jundiaiense que pretende chegar com força na cidade vizinha. De acordo com a diretora Célia Benassi, o grupo já tem terrenos no município e está, também, estudando as melhores possibilidades de negócio, embora não haja nada aprovado para lançamento a curto prazo.

“A região toda tem potencial, mas a demanda em Várzea acaba sendo maior. Há bastante necessidade por empreendimentos com perfil popular”, afirma, lembrando que o ponto básico, seja no território varzino ou na região como um todo, é que haja investimento por parte do poder público em saneamento básico e infraestrutura viária, principalmente.

“Jundiaí teve isso lá atrás e foi muito bem feito. Quando se pensa em construir novas avenidas, por exemplo, é preciso que haja investimento em asfalto de qualidade. O saneamento básico é outro ponto imprescindível. Nosso desafio nas cidades vizinhas caminha nesse sentido”, complementa Célia. O supervisor comercial da FA Oliva reforça uma dificuldade para aprovação de novos empreendimentos.

“A prefeitura de Várzea está com uma política de querer atrair novas indústrias e não projetos residenciais”, pontua. Em Jundiaí, inclusive, a dificuldade para aprovação de novos empreendimentos tem sido um incentivo a mais para os grandes grupos da construção civil apostarem no crescimento regional, embora essa estratégia já fosse uma realidade entre as construtoras.

“A pretensão de crescer na região vem de antes, mas os novos desafios impostos pelo poder público são um empurrão a mais, sem dúvida”, afirma Castilho. De acordo com o presidente da Associação das Empresas e Profissionais do Setor Imobiliário de Jundiaí e Região (Proempi) e diretor regional do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Ricardo Benassi, em Jundiaí, a atual administração tem sido mais criteriosa com relação a uma legislação instituída em 2012 e que diz respeito ao estudo de impacto da vizinhança.

“Esse governo segue à risca e isso vem burocratizando mais o processo. No entanto, agora, a velocidade das aprovações está melhorando”, diz. No aspecto regional, as cidades da Região têm muito potencial a ser explorado segundo Benassi. “Principalmente para empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida”, reforça Ricardo Benassi. Itupeva e Cabreúva são locais citados por ele como propícios para loteamentos residenciais.

A FA Oliva, por exemplo, tem explorado também esse mercado – há loteamentos da construtora em Cabreúva com lotes de 250m² e 1 mil m², em pontos distintos. A Santa Angela investiu em Americana e em Itatiba, e tem terrenos em Itupeva, Campo Limpo e, até mesmo, em Campinas. O crescimento para cidades vizinhas é uma tendência na visão do delegado regional do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) em Jundiaí, Evandro Carbol.

“Em Jundiaí, quem tinha que comprar a casa própria já comprou e o que percebemos é uma desaceleração nas vendas de lançamentos. É muita concorrência também”, avalia. Esse ponto foi percebido pela FA Oliva lá atrás, segundo o supervisor comercial da construtora. “Chegaram muitas empresas de São Paulo. Então, ao invés de lançarmos quatro projetos em Jundiaí, passamos a investir em dois na cidade e dois fora. Foi a estratégia”, conclui Castilho.

Sonho realizado
Para o líder de modulação Fábio Osnei Santana, 33 anos, o investimento das construtoras em cidades vizinhas representou a chance de realizar o sonho da casa própria. Com pouco mais de R$ 180 mil, em 2011, ele comprou um apartamento de 71 metros quadrados da FA Oliva em Várzea Paulista. “É um imóvel de três dormitórios.

Com esse preço, não havia nada disponível em Jundiaí na época, a não ser que fosse apartamento de 40 m²”, conta. Depois de três anos pagando financiamento, a família de Fábio está a poucos dias de receber a chave do apartamento. Ele, a mulher e os dois filhos já projetam como será cada ambiente.

“Nem estamos dormindo direito mais, a ansiedade é grande”, diz. O desafio, agora, é pensar nos móveis planejados. “E meus filhos já ficam falando como querem que seja o quarto de cada um”, comenta.


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