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Espaço do Cidadão – 19/05/2019

ESPAÇO DO CIDADÃO | 19/05/2019 | 04:00

AS MANIFESTAÇÕES CONTRA O GOVERNO BOLSONARO[/TITULO_NOTA]
A quarta-feira, 15/05/19, foi palco da maior manifestação contra o Governo Bolsonaro, especialmente em relação ao contingenciamento (termo do governo) ou corte (termo dos opositores) de recursos para a área da educação. A manifestação, creio, não pode ser tomada por uma fotografia da realidade e sim como um filme que assistimos desde o início da atual gestão.
Singularmente, a tomada das ruas nos remete à recente memória das manifestações em 2013 e dos protestos contra o PT e a favor do impeachment da Presidente Dilma. Assim, sempre que tais eventos ocorrem, acende uma luz de alerta nos governantes, em particular, e na classe política em geral. Políticos não querem e temem manifestações massivas que tomam as ruas do país. Em entrevista rápida, o Vice-Presidente, Hamilton Mourão, foi de uma clareza ímpar ao explicar a diferença de corte e contingenciamento, bem como afirmou que a presença do ministro da Educação, Abraham Weintraub, na Câmara dos Deputados, seria excelente oportunidade para que ele possa “explicar direitinho” o cenário. E, por fim, Mourão arrematou criticando a comunicação errática do próprio governo. Em síntese, em poucos minutos o vice foi capaz de fazer aquilo que nem o presidente e nem o ministro conseguiram até agora.
Bolsonaro, dos EUA, afirmou que os manifestantes são “idiotas úteis” e “massa de manobra”. Obviamente, houve no protesto presença de partidos de oposição, de sindicatos e movimentos de esquerda. Isso é inegável. Todavia, afirmar, peremptoriamente, que são idiotas e massa de manobra é desconhecer a própria dinâmica de uma sociedade em rede e hiperconectada.
No plano mais geral, a manifestação é parte de um filme e aí reside o maior problema de Bolsonaro. Conjuga-se, neste momento, 1) uma massiva manifestação com 2) uma popularidade que despencou de janeiro até março e 3) com a incapacidade do governo de fazer política e formar uma base que dê sustentação às ações governamentais. Bolsonaro insistiu no discurso de campanha mesmo já empossado. Dividiu a todos em “nova” e “velha” política, interditando o diálogo, a negociação com partidos, lideranças e demais atores políticos.
Governar elegendo inimigos (imprensa, universidade, esquerdas, marxismo cultural, etc.) tem seu preço: anima os bolsonaristas, mas leva às ruas milhões de vozes plurais, não apenas partidos ou movimentos. Bolsonaro flerta com algo que pode fugir do controle e colocar sua governabilidade em xeque.
Rodrigo Augusto Prando

ESPACO DO CIDADAO


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