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Espaço do Cidadão – 22/05/2019

ESPAÇO DO CIDADÃO | 22/05/2019 | 04:00

DEFESA DA FILOSOFIA
Novas propostas sobre o ensino e a chegada de um novo Ministro da Educação estimulam debates e análises em torno da formação educativa. O Ministro se chama Abraham Weintraub, e este “Weintraub”, de acordo com o meu Dicionário Wahrig de Alemão, significa “cacho de uvas”! Contudo, não importando quais frutos do debate, é preciso fomentar e esclarecer a presença da Filosofia na formação pessoal e intelectual. Um escritor da Folha, publicado sempre às sextas, tentou justificar a inocência das teses filosóficas de cunho marxista, no ensino médio. Valeu-se de citações sem incluir Marx, Gramsci ou Chauí!… Utilizou trechos de Hegel, Feuerbach, Spinoza, Foucault e os conhecidos “frankfurtianos”, escola que namora Lenin. Pra não dizer que não falou dos gregos, mencionou a “República” de Platão, para explicar a origem do comunismo!

Na minha aposentada docência de Filosofia, seria um acinte esquecer a origem do nosso pensamento ocidental, a partir de Tales de Mileto, Heráclito, Parmênides, Anaxagoras, e tantos que cercam o trio absoluto, Sócrates, Platão e Aristóteles. Mirem o belo afresco de Rafael, “A Escola de Atenas”: só isso já daria uma enciclopédia. Mas o jornal sequer alude a figuras do Cristianismo (claro, o leninismo é ateu), e passa batido por Agostinho de Hipona, João Crisóstomo, Marco Aurelio, Sêneca, Roger Bacon, e o patrono de toda a Filosofia Católica, o dominicano Tomás de Aquino. As Faculdades religiosas sempre iniciavam o ano letivo no dia 7 de março, justamente por ser a data consagrada ao grande Doutor da Escolástica, escritor da Summa Theologica. Nem mesmo se pensa em figuras de destaque da filosofia religiosa, ainda que ligadas a um pensamento atualizado, como é o caso de Schoppenhauer, Kierkegaard, Martin Buber, e o existencialismo cristão.

Posso admitir que um docente admire a Fenomenologia, e se entusiasme por um curso carregado de Merleau-Ponty. Contudo, nenhum pensador pode ser visto exclusivamente e com viés político, como é o caso dos atuais servos de Althusser e Gramsci, ou Paulo Freire, na versão cabocla. Impressionante, ainda, é passar em absoluto segredo pelos campos da Filosofia Positivista, de Augusto Comte, ainda que resvalando pelas teses existencialistas de Jean-Paul Sartre. E aonde vão parar os estudos do pensamento pedagógico norte-americano, ou mesmo as elucubrações de um Tobias Barreto, em nossos limites, quando o ditado do mestre se resume ao esquema da luta de classes e do materialismo dialético?

É preciso defender a Filosofia dos ataques traiçoeiros e das armadilhas que fazem passar em branco, no reduto escolar, os ideais do Positivismo grafados na nossa Bandeira: “Ordem e Progresso”.
Antônio Luiz Gomes


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