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Grupos diminuem uso de remédios na dor crônica

SIMONE DE OLIVEIRA | 01/12/2019 | 09:00

As dores crônicas (aquelas que persistem por pelo menos três meses) acometem cerca de 37% dos brasileiros, o que significa 60 milhões de pessoas. Este dado da Sociedade Brasileira de Estudos da Dor (Sbed) aponta que tem muita gente se queixando de dores, em especial na região lombar, nas articulações, na face, boca, e pescoço: as mais comuns segundo os especialistas.

E justamente para amenizar este incômodo e não ficar dependendo de remédios muitas pessoas têm optado por algumas terapias alternativas. Em Jundiaí, uma das opções é o Grupo Terapêutico Alívio da Dor que oferece, entre outras práticas, acompanhamento com oficinas teórico/práticas com equipe multidisciplinar que envolve fisioterapeuta, educador físico, psicólogo, nutricionista, farmacêutico, médico e estudantes da Faculdade de Medicina de Jundiaí, com temas específicos que envolve todos os aspectos da dor abordando a qualidade de vida.

Segundo a fisioterapeuta da equipe do Núcleo Ampliado de Saúde da Família (NASF), órgão responsável pelo grupo terapêutico, Cristina Padoin, a intenção é dar ferramentas para os pacientes enfrentarem as questões da dor crônica de outra maneira, no que diz respeito à medicação. É mostrar a importância de seguir as orientações médicas quanto doses e tempo de tratamento e buscar sempre orientação do médico e da equipe de saúde para qualquer alteração ou dúvida. “Para os pacientes que fazem uso por conta própria de medicamentos para controle da dor crônica mostramos as consequências para o organismo a médio e longo prazos, alertando sobre os riscos e os danos possíveis.”

Assim tem sido para a aposentada Zilda Gomes Pansan, de 72 anos, moradora do Parque Continental, em Jundiaí. Com fortes dores devido sua hérnia de disco, ela passou por uma cirurgia, mas mesmo assim continuou com algumas dores. Em alguns momentos precisou se medicar por 24 horas, mas resolveu tentar outras alternativas.

“Minha amiga falou sobre algumas terapias que poderiam me ajudar a sentir menos dor e por isso resolvi participar do grupo. Relaxar a musculatura com algumas técnicas me fazem sentir bem e não fico o tempo todo tomando meus medicamentos”, diz Zilda.

Lian Gong, auriculoterapia e alguns exercícios de relaxamento são algumas das terapias que ela optou para conseguir ter qualidade de vida. “Aos poucos estou me desprendendo das minhas medicações e está sendo muito bom para mim porque não sinto mais a necessidade de tomar tantos remédios, mas faço meus exercícios em casa também e enquanto puder evitar a próxima cirurgia, ficarei frequentando os grupos”, diz Zilda.

As crises que tinha com as dores lombares, resultado de desgaste dos ossos, fez com que Márcia Regina da Silva Oliveira, de 51 anos, também optasse pela acupuntura e por algumas atividades para aliviar as dores constantes. Ela também passou por cirurgia de correção, mas confessa que as agulhas têm sido de alívio e de conforto, além de outros atividades que faz dentro do grupo. “Quando a gente acostuma com os exercícios não fica sem de jeito nenhum. Eu oriento as pessoas que experimentem porque nos sentimos melhor e as dores começam a diminuir. Os remédios ficam em segundo plano”, confessa.

Da auriculoterapia à meditação

O Grupo Terapêutico Alívio da Dor, que atua no Centro de Convivência, Cultura, Trabalho e Geração de Renda, no Parque da Represa, atende todos os pacientes do município interessados em participar do programa e todos os usuários encaminhados pelas unidades de saúde da regional IV com queixas de dor crônica.

Entre as práticas integrativas e complementares estão a fitoterapia, auriculoterapia e a meditação. De acordo com o cardiologista e clínico-geral Marco Antônio Dias, da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), a conhecida polifarmacia é muito frequente nos dias de hoje e um dos motivos é que muitos especialistas tratando o mesmo paciente ao mesmo tempo. Como não existem drogas ou medicamentos perfeitos é sempre importante avaliar os riscos ou os benefícios na sua utilização.

“É sempre bom evitar o excesso de medicamentos e uma das alternativas seriam as terapias coadjuvantes (fisioterapia, por exemplo) e alternativas (acupuntura, homeopatia). Dores articulares e de coluna são bastante frequentes, além de dores oncológicas e nestes casos algumas drogas potentes são utilizadas o que podem causar intoxicações e dependência química”, alerta o especialista.

Ele orienta as pessoas a evitarem a fazer uso de medicamentos sem orientação ou receita médica. “A longo prazo os medicamentos podem se acumular no organismo, principalmente em pacientes idosos, pois nesses casos os sistemas de eliminação das drogas ficam mais lentos e suscetíveis a falhas.”

As informações de como ingressar no grupo devem ser obtidas nas UBSs de cada bairro. (S.O.)

 


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