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Síndrome de Guillain-Barré cresce no mundo

LAÍS GRECO | 16/09/2018 | 06:30

Quem acompanha a personagem Rochelle, interpretada pela atriz Giovanna Lancellotti na novela “Segundo Sol”, sabe que ela adora provocar confusão. Nos últimos episódios, após se envolver em uma briga, onde sofreu uma grave queda, foi para o hospital e, lá, Rochelle descobriu que é portadora de uma doença rara, a síndrome de Guillain-Barré.

Como explica a neurologista Mirella Senise, a síndrome é uma doença autoimune inflamatória dos nervos, caracterizada por quadros de fraqueza muscular progressiva e ascendente, podendo levar à insuficiência respiratória e até mesmo ao óbito.

A síndrome é rara no mundo (1 caso para cada 100 mil), mas apresentou um aumento na incidência desde 2015 e uma possível associação com infecção por zika vírus tem sido estudada.

As causas ainda não foram bem estabelecidas, mas alguns estudos mostram gatilhos para a doença. Normalmente os pacientes apresentam 2 a 3 semanas antes uma doença bacteriana ou aguda viral, como uma simples gripe. Esse foi o caso da jornalista Renata Taffarello, que após uma infecção intestinal começou a desenvolver a síndrome. “Começou com dores nas costas, na parte dorsal. Procurei um ortopedista e depois um neurologista. Eles me diagnosticaram com protrusão discal”, conta.

Em poucos dias, Renata começou a perder a sensibilidade nas mãos e pés e decidiu passar com outro neurologista. Este deu o diagnóstico correto, feito a partir do exame de retirada de líquido da espinha e da eletroneuromiografia.

Segundo Mirella, o tratamento na fase aguda é baseado na administração de imunoglobulina para impedir a progressão da doença e fisioterapia para reabilitação.

Renata teve uma recuperação rápida e, em menos de dois meses, já tinha voltado a trabalhar. No período de reabilitação, fazia hidroterapia, fisioterapia e acupuntura quase diariamente.

Sequelas também ficam quando alguém tem um desenvolvimento muito progressivo da síndrome. “Conheci uma mulher que teve que aprender novamente a falar, andar e comer. Eu ainda tenho a falta de sensibilidade na ponta dos pés e sofro com um pouco de tensão muscular às vezes”, destaca Taffarello. As sequelas e o tempo de recuperação variam em cada caso.

Não existe prevenção específica para a doença, “Essa síndrome é considerada uma emergência médica e exige internação hospitalar assim que houver suspeita do diagnóstico”, reforça a médica.

 

 


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