Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Tratamento de distúrbios mentais tem crescimento de 5%

Kátia Appolinário | 26/01/2020 | 09:09

Em pleno janeiro branco, de alerta sobre saúde mental, o Brasil está inserido em um contexto em que 86% dos brasileiros sofrem algum transtorno mental, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Em Jundiaí, os casos mais severos de distúrbios, como esquizofrenia, bipolaridade e demência são encaminhados para os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do município.

De acordo com a Coordenação de Saúde Mental, nos últimos dois anos foram realizados 177.609 atendimentos, sendo que dentre esses 91.072 foram realizados entre janeiro e novembro de 2019, número 5% maior em relação ao ano anterior.

Os CAPSs são compostos por profissionais multidisciplinares, como enfermeiros, médicos e assistentes sociais a fim de dar todo o suporte necessário aos pacientes, que, na maioria das vezes, primeiro passam por atendimento nas UBSs e, após o diagnóstico, recebem o devido encaminhamento.

A psicóloga Aline Aleixo, de 55 anos, dá suporte àqueles que buscam por ajuda no CAPS II, unidade voltada especialmente para o atendimento de adultos. “Aqui cada paciente tem um projeto de atendimento individual a ser seguido, isso porque cada caso possui uma necessidade específica. Eles precisam desenvolver suas habilidades, a questão da ressocialização com o outro, e nós vamos acompanhando este processo”, explica a especialista que há cinco anos contribui com os grupos de apoio por meio de atividades lúdicas, terapia grupal e individual. Rubens Mendes, de 28 anos, foi um dos pacientes que chegou até o CAPS por meio das Unidades Básicas de Saúde. “Já passei por 10 encaminhamentos pelas UBSs. Acredito que, quando a gente recebe o melhor tratamento e toma o remédio na hora certa, a gente melhora”, exalta o jovem que frequenta o centro de apoio há 14 anos.

Ainda que trate de casos severos, o CAPS II não realiza a internação de pacientes. “Quando há necessidade de maior assistência, o paciente pode ser encaminhado para a ala psiquiátrica do Hospital São Vicente, ou mesmo para o CAPS III, que fica localizado no bairro Anhangabaú”, afirma a diretora da unidade, Ana Paula Donizete.

Durante o dia são realizadas diversas atividades a fim de desenvolver as habilidades dos pacientes. “Temos oficinas de arte, karaokê, terapia, sessões de relaxamento e também fazemos reuniões familiares, vivências para nos ajudar a caminhar no sentido de pensar na melhor maneira para lidar com essas pessoas”, explica Aleixo.

A paciente Sandra Oliveira, de 40 anos, afirma que a unidade é muito mais do que um centro de atendimento. “Somos uma família que se respeita, que sabe da limitação e do tempo um do outro. Sabemos quando algum de nós não está bem, e por isso sabemos o momento de falar e o de silenciar”, afirma.

Concomitantemente com o trabalho realizado no CAPS, há também as Residências Terapêuticas, que consistem em centros de atendimentos voltados para pessoas que passaram por um longo período internadas em hospitais psiquiátricos. “Nelas, a ideia é que o paciente seja inserido em diversas situações para que possa se recuperar. Os cuidados devem ser feitos por meio de um tratamento em liberdade”, ressalta a psicóloga.

Alguns dos casos podem ser desencadeados ainda na infância, motivo pelo qual é importante que os pais estejam sempre atentos. “É importante observar o sono da criança, a comunicação com os seus pares, os sinais naturais do desenvolvimento psicomotor e até mesmo as artes da criança”, explica a psicopedagoga Luciana Pelinser.

JANEIRO BRANCO

este ano, o tema da campanha nacional do janeiro branco tem como principal intuito tornar o diálogo sobre a saúde mental mais democrático em diversos contextos, como na escola, em casa, ou mesmo no ambiente de trabalho. Em Jundiaí, o atendimento às pessoas que apresentam sofrimento psíquico é realizado a partir dos princípios da Política Nacional de Saúde Mental. Assim, a rede de serviços está estruturada a partir dos equipamentos preconizados na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS – Portaria 3088/11).

O município conta com quatro Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), sendo dois serviços para adultos (CAPS III e CAPS II), um serviço para crianças e adolescentes (CAPS Infantojuvenil) e um para pessoas com necessidades decorrentes do uso de álcool e drogas (CAPS AD III). O CAPS III e o CAPS AD III operam com funcionamento 24h.


Link original: https://www.jj.com.br/saude/tratamento-de-disturbios-mentais-tem-crescimento-de-5/
Desenvolvido por CIJUN