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Tratamento para CÂNCER DE MAMA em Jundiaí começa em 60 dias

Simone de Oliveira | 16/06/2019 | 05:00
O câncer de mama é hoje uma das mais preocupantes doenças que acometem as mulheres. Em algumas regiões elas não apenas sofrem com a descoberta da doença, que em muitos casos pode resultar na retirada da mama, mas principalmente pela demora no tratamento.
Especialistas reforçam que descoberto um câncer de mama, o início do tratamento (cirurgia ou quimioterapia) deve ser o mais rápido possível para que a taxa de cura seja elevada. É a conhecida ‘Lei dos 60 dias’ que estabelece que entre o resultado da biópsia e o início do tratamento oncológico o tempo não pode passar dos 60 dias. Mas nem sempre isto é realidade na maioria dos estados brasileiros.
Jundiaí tem cumprido o que preconiza o Ministério da Saúde, segundo informa a Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS). Entre o diagnóstico e início de tratamento o tempo é de 60 dias. Atualmente são pelo menos 195 pessoas em tratamento no Hospital São Vicente (HSV) que atende pelo SUS.
De acordo com o ginecologista e mastologista João Bosco Ramos Borges, também presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia-Regional São Paulo, atualmente o tempo de espera pelo SUS avançou muito nos últimos anos, porém está longe de ser o ideal. Segundo ele é preciso mulheres mais preocupadas com sua própria saúde, mas também profissionais comprometidos em atender, com precisão esta mulher.”Nos deparamos com a falta de biópsia rápida, de vagas para cirurgias rápidas, e falta vaga para quimioterapia e de radioterapia. No SUS de Jundiaí há uma boa oferta de mamografia e biópsia rápida, o que facilita a atenção ao câncer de mama. Mas Jundiaí não é o Brasil”, lamenta o professor da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ).
Outro fator muito discutido na medicina é o tempo para a realização da reconstrução mamária. Segundo o mastologista, deveria ser feita imediatamente à retirada do nódulo, conforme preconiza uma lei federal, porem não é cumprida.
“Além de direito, a reconstrução oferece melhor prognóstico, pois os estudos mostram que quem tem acesso a ela terá melhor evolução da doença. Temos muito baixa oferta para reconstrução de mama imediata. Isso se deve à psiconeuroimunologia, que é a ciência que avalia quanto o emocional melhora a imunidade das mulheres. Lógico que numa saúde pública onde falta dinheiro, leitos, radioterapia, a reconstrução precisa avançar muito. Na medicina privada, no entanto, não há mulher que não trate seu câncer e já faça a reconstrução imediatamente”, enfatiza.
De acordo com o HSV, atualmente são 751 atendimentos de pacientes oncológicos. Deste total, 195 casos estão relacionados ao câncer de mama, dos quais 178 pacientes realizam tratamento de quimioterapia e 17 de radioterapia e não há fila para a reconstrução mamária.
REALIDADE DISTANTE
Em recente artigo, o médico Drauzio Varella lembrou que no período de 2001 a 2014 ocorreram cerca de 247 mil casos de câncer de mama no Brasil. A média de idade ao receber o diagnóstico foi de 55 anos.
A prevalência da doença diagnosticada já em fases avançadas atingiu 40%. Nas mulheres negras e nas brancas com pouca ou nenhuma escolaridade formal chegou a 49%, número que caiu para 29% nas brancas com diploma universitário.
“Embora as brasileiras com nível universitário formem o grupo com prevalência mais baixa de casos avançados, os diagnósticos tardios entre elas são mais frequentes do que entre as norueguesas diagnosticadas na década de 1970, anos antes da introdução da mamografia naquele país”.
Quando a vontade de vencer é mais forte que a doença
Nenhuma doença assusta as mulheres tanto quanto o câncer de mama. Embora a probabilidade de uma mulher de 60 anos sofrer ataque cardíaco ou derrame cerebral seja muito maior, o fantasma de um nódulo maligno no seio tem efeito desproporcionalmente devastador, por estar ligado à ideia de mutilação, à interferência com a sexualidade e ao medo da morte”.
A fala do médico Drauzio Varella é um retrato de como as mulheres têm sofrido quando descobre a doença. Mas mesmo diante de histórias tristes e diagnósticos desanimadores, há quem sabe levar, com certa tranquilidade, o fato de passar pelo trauma de ter a mama retirada.
Para a dona de casa Maria de Lourdes dos Santos, de 62 anos, a batalha contra o câncer tem sido intensa e cansativa, mas mesmo assim ela encara com coragem e, como ela mesmo define, com fé e apoio familiar. Há 20 anos descobriu que estava com um tumor no útero. Cinco anos mais tarde veio os do seio e recentemente descobriu algo no pulmão.
Três momentos que se resumem em medicamentes, cirurgias e reconstruções. “Eu fui ao médico fazer um exame de rotina e quando os exames ficaram prontos descobri que estava com mais de 200 nódulos no útero. Tive que fazer uma cirurgia para retirar todo o órgão. Eu já tinha tido os meus filhos e não foi tão traumático tirar o útero, mas cinco anos depois descobri os nódulos no seio”, conta.
E foram estes nódulos que resultaram na retirada total de sua mama esquerda. Ela conta que por orientação médica a cirurgia de reconstrução foi realizada apenas alguns meses depois. “Para se curar a gente não pensa muito na estética não. Conversei muito com meu marido e decidimos juntos os passos da cirurgia. Ter o apoio da família é essencial e nestas horas a vaidade a gente deixa de lado”, diz Lourdes.
O HSV realiza por mês 12 cirurgias relacionadas ao câncer de mama. Cerca de 6 pacientes realizam a reconstrução mamária atualmente, mas segundo a unidade de saúde, existem casos de reconstrução imediata, quando a paciente em um único procedimento cirúrgico realiza a mastectomia e já faz a reconstrução mamária. E há casos em que o médico mastologista indica que primeiro se realize o procedimento de mastectomia e só após um tempo seja feita a reconstrução.

Para a dona de casa Maria de Lourdes dos Santos, de 62 anos, a batalha contra o câncer tem sido intensa


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