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A Itália e seus vinhos


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Crédito: Reprodução/Internet

Imaginando que o Massoti, vulgo “Juju”, seu apelido infame como ele mesmo diz, estivesse trazendo várias histórias da sua “lua de mel” na Itália, resolvi pegar um gancho e falar um pouco sobre os vinhos da Azurra, uma terra riquíssima em produção de vinhos do Norte ao Sul da “bota”, dotada de um povo que já bebia vinho desde antes da Roma Antiga.

Atualmente a Itália figura em primeiro lugar no ranking de produtores de vinhos no mundo e, ainda, está sempre entre os três países com maior consumo per capita. Devido à grande quantidade de estilos de vinhos, seu sistema de classificação passa a ser até um pouco complicado e controverso, principalmente por não permitir a introdução de uvas estrangeiras nas suas denominações de origem controlada, os famosos “DOC” e “DOCG”.

Mas, os considerados “supertoscanos” resolveram “peitar” a legislação e introduziram nos seus vinhos outras uvas europeias, principalmente aquelas com berço francês, como a Cabernet Sauvignon e a Merlot, que, por sinal e para nossa sorte, se deram muito bem e o resultado dessa relação foi uma “ninhada” de vinhos “fora da lei”, simplesmente fabulosos! São exemplos, Tignanello, Solaia, Ornelaia e Sassicaia. Os nomes falam por si só, mas, diante da rígida legislação, ainda carregam no rótulo a simples denominação vino di tavola! Mas tudo bem! Eles não estão nem aí!

Isso mostra que as letras DOC e DOCG nos rótulos não são um sinônimo de qualidade, mas apenas indicações de origem e que seguem rigidamente aquilo que consta na lei. Mas saibam que existem muitos vinhos DOCG medíocres e vinhos sem quaisquer indicações que são fantásticos! Não se atenham às “letrinhas”!

Entre a diversidade de estilos e denominações de vinhos italianos, podemos destacar, além dos “supertoscanos”, outros grandes nomes, como o Barolo e Barbaresco, do Piemonte; Brunello di Montalcino e Chianti, na Toscana; Amarone e Reciotto, no Vêneto, e por aí vai.

Quanto às regiões produtoras, ao Norte, temos Alto Adige e Vêneto, com o Piemonte ao Noroeste, passando pelo Centro, com seu “carro chefe” a Toscana, Emiglia Romagna, Úmbria e Abruzzo, e ao Sul nada menos que Sicília, além da Sardegna, Puglia e a Campania.

Sendo o único país que produz vinhos em todas as regiões, na Itália há uma infinidade de uvas. O trio de uvas do Vêneto é formado por Corvina, Rondinella e Molinara. No Piemonte, as principais uvas são a Nebbiolo e a Barbera, além das tintas Dolcetto, Brachetto e Bonarda; e das brancas: Cortese, Arneis e Moscato.

Já na região central prevalecem as tintas: Sangiovese, Canaiolo, Montepulciano e Brunello - hoje chamada de Sangiovese Grosso. Entre as brancas: Malvasia e Trebbiano. No sul do País e em suas ilhas encontramos uma gama impressionante de uvas, destacando-se a Inzolia, Fianco, Aglianico e Primitivo de Manduria. Essa última é a mesma que a Zinfandel californiana. Legal né?! Isso foi só um espremidíssimo resumo. Por isso, com certeza voltaremos a falar sobre a Itália e seus vinhos. Salute!

MURILO AZEVEDO PINTO é sommelier e consultor de vinhos. e-mail: [email protected]. Instagram: @murilovinhos


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