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Amarone

| 01/10/2014 | 00:02

Na semana passada falamos sobre a Itália e seus vinhos e no programa Difusora Acontece falei que meu vinho preferido é o Amarone. Ato contínuo recebi algumas perguntas sobre esse raio de Amarone e o que ele tem de diferentão? Legal! Vamos ver:

Antes de mais nada, na fase da colheita, todos os cachos são colhidos da parreira, mas os bagos não maduros ou imperfeitos, de plano, são descartados. Segundo, após uma seleção, as uvas eleitas passam por um processo chamado de “apassimento”, isto é, as uvas secam em estantes ou caixas de madeira dentro de armazéns por um período mínimo de três meses em temperatura ambiente, mas com o cuidado de ventilação para evitar o bolor. Por fim, as uvas ficam completamente desidratadas, praticamente pela metade do seu tamanho normal, para finalmente serem vinificadas.

O processo de apassimento, naturalmente, deixará o vinho final muito mais encorpado, denso, escuro, seco e alcoólico, mas tão alcoólico que deixa um fundo de boca adocicado. Pena que esse processo deixa o vinho mais caro também!

Depois de tudo, o vinho ainda é amadurecido em barris de carvalho por um período mínimo de 25 meses, podendo chegar a 48 meses. Neste caso, os barris utilizados são de madeira usada e são bem maiores do que as cartolas usuais, isto é, de cinco mil litros e, antes de ser comercializado, o vinho ainda descansa por no mínimo um ano em garrafa.

Uvas: embora autorizado pela legislação o uso de cepas como a Rossignola, Negrara e Barbera, o corte tradicional do Amarone fica entre as uvas: Corvina, responsável em oferecer cor, caráter e maciez; Rondinella, que oferece estrutura e potência; e Molinara, acidez e um delicado toque meio amargo.

Características: Normalmente, no nariz, o Amarone tem notas florais, como violeta, frutas passas, figo cristalizado e frutas negras maduras. Na boca encontraremos canela, noz-moscada, couro, tabaco, trufa, ameixas de manjar, cassis e chocolate amargo. Nada mal, hein?

Harmonização: Os Amarones não são tão amigos da gastronomia, uma vez que são alcoólicos e não têm muita acidez. Mas eu diria que o Amarone é um vinho para ser bebido, apreciado e degustado sem nenhum ator coadjuvante. Ele tem personalidade suficiente para ser o astro em voo solo, é um vinho de meditação!

Amarone é um vinho que emociona, um vinho incomum, um vinho tão complexo que se fosse resumi-lo em uma só palavra seria o mais injusto dos desafios, mas, sei lá…Sublime? Desconcertante? Majestoso? Soberano? Ou, simplesmente, Amarone! Isso: Amarone!

Por isso, sim, o Amarone é o meu estilo de vinho preferido. Trata-se de um vinho ímpar, nada parecido, um vinho dotado de um caráter e uma complexidade que deixa qualquer metido a “enochato” falando sozinho! Salute!


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