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Calor ou frio? Tanto faz!

| 07/10/2014 | 22:33

Estava pensando agora sobre uma coisa muito interessante: a maioria das pessoas quer viajar para algum lugar fugindo do frio. Nem quero e nem tenho estofo intelectual e antropológico para entender as razões disso. Será que é porque vivemos em um “país tropical” e o conceito de diversão envolve apenas um sol de rachar? Será que as pessoas acham que vão comer mais em um lugar frio e consequentemente engordar? As respostas, se existirem, são muito complexas. No frigir dos ovos, lugares gelados e escaldantes podem ser igualmente lindos e divertidos, basta pensar um pouco.

Dubai é um destino que está na cabeça de muita gente. Prédios espetaculares, shoppings colossais, praias lindíssimas e o exotismo do oriente médio. Ótimo, todos queremos ir para lá. Mas ninguém lembra que se você colocar a ponta do nariz para fora da janela do carro, vai sentir um bafo quente digno de um dragão. Ah, esqueceu que a temperatura bate os 50 graus tranquilamente? Se tentar andar dois quarteirões pela rua, periga queimar os pés, porque a sola do sapato já vai estar derretida lá atrás!

O nordeste brasileiro é uma maravilha, vamos tomar aquele solzão gentil e sereno, aproveitar a praia e a água morna e gostosa do nosso litoral, comer em restaurantes muito bons por preços que fazem São Paulo parecer mais cara que Tóquio. Mas se você chegar no quarto do seu hotel e o ar condicionado não funcionar, aí vai ver que delícia é dormir grudado no lençol e ter que jogar balde de gelo na cama para tentar refrescar um pouco.

Quer dizer, mesmo que os destinos sejam quentes por natureza sejam os preferidos, ninguém pensa em ficar exposto ao calor. Claro que um lugar frio também tem seus “detalhes”, mas bons argumentos existem de sobra.

Nova York é fria demais no fim do ano? Muito! E que tal ver as vitrines de todas as lojas superdecoradas para o Natal? Se você se agasalhar bem, usar roupa adequada (não adianta colocar três meias de náilon, por favor), pode dar um pulo na Magnolia (famosa pelos cupcakes) e tomar o melhor chocolate quente do mundo. Se arrisque um pouco mais, vá ver a árvore de Natal do Rockefeller Center e treine seu enferrujado patinar no gelo.

Europa é muito fria no inverno? Realmente todos os países devem estar às moscas nessa época, como se todo o continente ficasse submerso na era do gelo. Tomar um café com um crepe de nutella embaixo da torre Eiffel em Paris, que tal? E se cobrir com uma manta de lã bem grossa e passear pelos canais de Veneza, à noite, com o gondoleiro mais Pavarotti da cidade, parece bacana? Caminhar pela Ponte Carlos em Praga toda coberta de neve e olhar para a cidade que parece saída de um conto de fadas, é um programa legal? Resposta: SIM, em letras enormes para todas as perguntas acima!

Não é minha intenção ensinar ninguém a escolher uma viagem ou determinar onde passar suas próximas férias. Como sempre, o que eu quero é que antes da resposta mais automática que vier à cabeça, pesem os prós e contras. Fazer um boneco de neve com nariz de cenoura em Vancouver pode ser tão divertido quanto pegar um jacaré na praia da Pipa. O importante mesmo é viajar!

ALEXANDRE MASSOTI é jundiaiense de coração, agente de viagens e cidadão do mundo. Formado em administração de empresas, atua na área de turismo há 20 anos. E-mail: alexandre@rosamassoti.com.br


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