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Eu mereço um excelente hotel!

| 18/05/2014 | 00:05

Nós, agentes de viagens, vendemos serviços e não produtos. E são serviços extremamente delicados de lidar porque, com exceção de passageiros que viajam a trabalho, há sempre sonhos e expectativas por trás deles. Quando alguém compra um carro novo, na hora já senta no banco do motorista, dá uma fungada no ar e sente o cheiro (que ninguém consegue traduzir em palavras), põe as mãos no volante, pisa no acelerador mesmo com o carro desligado, abraça, faz carinho.

Enfim, ele está ali, na sua frente, para ser contemplado, ninado, apapachado. Na compra de uma passagem aérea, você não vai embora da agência de viagens com o avião para estacionar na sua garagem. Não vai ter nada para mostrar para sua família, só uma folha de papel. Mas aquela folha é que te dá o direito de chegar no destino que você tem sonhado. Na sua cabeça, a viagem já começou!

Os dias serão lindos e ensolarados no destino, as pessoas vão ser gentis, vai experimentar os melhores pratos de sua vida, a(s) pessoa(s) amadas talvez esteja(m) junto com você, sua realidade será outra por alguns (vários) dias. Quem sabe até um Jackpot no cassino de Las Vegas! O objetivo deste e de todos os outros posts do blog é falar sobre assuntos relativos a viagens (e comida claro).

Inclusive mostrando meu ponto de vista, mesmo que ele não esteja de acordo com o de alguns de vocês, meus contumazes leitores. Isto posto, quero divagar sobre uma filosofia, um dogma (para poucos) e uma loucura ao mesmo tempo (para muitos): 

Passageiro:
Hotel? Ah, qualquer um, não importa, é só para dormir mesmo… Ouço e fico angustiado. Tenho vontade de chorar bem baixinho. Porque no fim das contas tenho que respeitar a decisão/vontade dele e sugerir algo que se encaixe na categoria de “qualquer um, só para dormir”. O objetivo disto não é empurrar para o cliente hotéis fora do alcance do bolso. É fazer refletir sobre a importância (gigante) de um hotel. Os seguintes “elementos” devem ser seriamente considerados na hora da escolha:

Localização
Imagine que delícia passar o dia todo batendo perna em Nova York, visitando lojas, vendo museus, gastando a sola do seu Crocs (é feio sim, mas já colocaram no pé?), e no final do dia, você percebe que seu hotel está a cinco minutos de caminhada? E se pintar aquela sede de Coca-Cola no meio da noite, tem uma conveniência aberta 24 horas bem ao lado! Ponto para mim.

Conforto
Sem dúvida deve ser levado em conta! Chegou cansado do voo longo até Roma, não vê a hora de chegar ao hotel e tomar “aquele” banho. O que você prefere: um chuveiro mequetrefe que precisa mirar para os pingos te acertarem ou aquela panela gigante que jorra água como uma cachoeira? Deitar na cama e ficar retinho, se sentir “abraçado” pelo edredom ou arquear as costas como se estivesse em uma rede de pescador? Sim, conforto é bom e todos gostam!

Preço
Sem dúvida deve ser analisado sim e ponto final. Mas não deve ser o fator decisivo na escolha. Compare! É simples, não requer esforço nem habilidade. Afinal, não trabalhamos bastante o ano todo para viajar e dormir numa cama de faquir, né? 

ALEXANDRE MASSOTI, jundiaiense de coração, agente de viagens e cidadão do mundo. Formado em administração de empresas, atua na área de turismo há 20 anos. E-mail: alexandre@rosamassoti.com.br.


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